Presidente Donald Trump - Foto: Daniel Torok/Oficial White House
Oposição alcança 54 assentos no Senado e supera barreira de 218 deputados na Câmara; presidente americano promete recorrer a vetos para frear pautas rivais
Publicado 4 de novembro de 2026 às 08:04
O Partido Democrata conquistou, na madrugada desta quarta-feira (4 de novembro), a maioria dos assentos tanto na Câmara dos Representantes (Câmara dos Deputados) quanto no Senado dos Estados Unidos. O desfecho das eleições legislativas de meio de mandato, conhecidas como midterms, representa uma derrota expressiva para o presidente republicano Donald Trump, encerrando o domínio político unificado que seu partido mantinha sobre o poder federal em Washington.
Na Câmara dos Deputados, onde todos os 435 mandatos foram disputados e a maioria absoluta exige 218 parlamentares eleitos, os democratas já alcançaram 228 vagas, contra 139 dos republicanos e 68 distritos ainda com apuração em andamento. O avanço da oposição foi impulsionado pela virada em 25 distritos anteriormente controlados pelo partido governista em mais de dez estados.
Já na disputa pelo Senado, que renovou um terço das 100 cadeiras da Casa, o Partido Democrata assegurou 54 vagas, superando o patamar mínimo de 51 assentos necessários para o controle do plenário. Os republicanos somam 44 senadores, enquanto dois postos continuam com apuração aberta. Ao todo, os democratas venceram 20 disputas ao Senado nesta rodada, incluindo sete viradas em estados tradicionalmente alinhados à direita.
Reação de Trump e estratégia de vetos
Após a consolidação dos números desfavoráveis ao governo, o presidente Donald Trump afirmou, em entrevista ao jornal The New York Times, que acatará o resultado das urnas. “Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados. Vamos trabalhar com os democratas e esperamos colaborar com eles. Provavelmente chegaremos a algum entendimento”, disse o presidente, amenizando declarações anteriores em que colocava a higidez das eleições como condição para reconhecer o pleito.
Apesar da fala conciliadora, Trump publicou em suas redes sociais a foto de um boné vermelho estampado com a palavra “veto”. Em entrevista concedida dias antes ao podcast Pod Force One, do New York Post, o mandatário já havia antecipado sua tática de contenção diante de uma vitória da oposição: “Acho que vou me tornar o ‘Sr. Veto’. Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”.
Derrotas de aliados presidenciais e avanços históricos
A composição final do Senado refletiu a rejeição direta a nomes apadrinhados por Trump em redutos conservadores. No Texas, o democrata James Talarico derrotou o procurador-geral Ken Paxton (republicano promovido por Trump nas primárias locais contra o tradicional senador John Cornyn). Na Carolina do Sul, a democrata Annie Andrews venceu Darline Graham, candidata apoiada pelo presidente para a vaga do falecido senador Lindsey Graham.
Em Ohio, o democrata Sherrod Brown desbancou o republicano Jon Husted, que havia recebido apoio pessoal de Trump em comícios no estado. O Partido Democrata também virou uma vaga na Carolina do Norte, reelegeu o senador Jon Ossoff na Geórgia (frustrando os planos republicanos de retomada da cadeira) e garantiu a eleição de Chris Pappas em New Hampshire, em substituição à senadora Jeanne Shaheen.
Também renovaram seus mandatos com margem confortável os senadores democratas Cory Booker (Nova Jersey), Ed Markey (Massachusetts) e John Hickenlooper (Colorado), além da eleição de Juliana Stratton para ocupar a vaga de Dick Durbin.
O papel das midterms
No sistema político norte-americano, as eleições legislativas federais acontecem a cada dois anos. Quando coincidem com a metade do mandato do chefe do Poder Executivo, recebem o nome de midterms.
Diferentemente do modelo brasileiro, os deputados norte-americanos cumprem mandatos de curta duração, de apenas dois anos, o que exige a renovação completa das 435 cadeiras da Câmara a cada ciclo eleitoral. No Senado, os mandatos duram seis anos, mas as vagas são escalonadas para que aproximadamente um terço da assembleia seja renovada bianualmente, garantindo a renovação contínua da representação parlamentar. Pelos próximos dois anos, a nova composição do Congresso terá a prerrogativa de travar o orçamento, fiscalizar contratos públicos e barrar nomeações federais da gestão Trump.
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