Caso da morte de Ana Clara voltou ao debate presidencial após questionamento de Lula a Flávio Bolsonaro. | Foto: Renato Pizzutto/Band
Ana Clara Gomes morreu em 2021, em Niterói; Flávio integrou a defesa do policial acusado, e o processo ainda aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri
Publicado 20 de outubro de 2026 às 13:55
Lula (PT) questionou Flávio Bolsonaro (PL), no debate presidencial da Band, no domingo (18), sobre a atuação do senador como advogado do policial militar acusado pela morte de Ana Clara Gomes Machado, de apenas cinco anos. O presidente cobrou explicações sobre um recurso apresentado pela defesa para tentar reverter a decisão que levou o caso ao Tribunal do Júri.
Ana Clara foi atingida por um tiro de fuzil em 2 de fevereiro de 2021, enquanto brincava na porta de casa com o irmão, de dois anos, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Segundo a denúncia do Ministério Público do RJ (MPRJ), o tiro partiu da arma do cabo da PM Bruno Dias Delaroli, acusado de efetuar os disparos durante uma ação policial.
Durante o debate, Lula cobrou explicações sobre a atuação de Flávio na defesa do policial e citou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para contestar a decisão que determinou o julgamento pelo Tribunal do Júri. “Me explica por que você fez isso?”, perguntou o presidente.
Sem se explicar, Flávio reagiu dizendo que Lula estava criminalizando o exercício da advocacia e condenando o policial antes do julgamento. “Você não pode criminalizar a advocacia, Lula. Nem teve julgamento, você já condenou o cara”, desconversou.
De acordo com a denúncia do MPRJ, Ana Clara foi atingida durante uma ação policial na comunidade. A acusação sustenta que o cabo atirou na direção de uma área residencial e assumiu o risco de atingir moradores.

A defesa do policial alegou que havia um confronto com criminosos armados. A investigação reuniu elementos para contestar essa versão.
Conforme o caso, a perícia identificou vestígios de munição compatíveis com o fuzil do policial. Também não foram encontradas cápsulas de pistola que corroborassem a alegação de troca de tiros.

A mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, relatou que os filhos brincavam na porta de casa quando ouviu os disparos. Ela também questionou a demora para que o processo chegasse a julgamento.
Em 2024, já como senador, Flávio passou a atuar na defesa do cabo e assinou um recurso apresentado ao STJ contra a decisão que determinou o julgamento do policial pelo Tribunal do Júri. O pedido foi negado, e a decisão de levar o caso a júri popular foi mantida.
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Isso significa que o processo não terminou com uma absolvição ou uma condenação definitiva do policial. A acusação ainda precisa ser julgada pelo Tribunal do Júri.
Nesse tipo de julgamento, os jurados decidem sobre a responsabilidade do acusado por crimes dolosos contra a vida, como o homicídio. A decisão deve considerar as provas e os argumentos apresentados pelas partes.
O caso ainda aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri, conforme as informações reunidas para esta reportagem. A data indicada no material de origem é 5 de maio de 2027, após adiamentos anteriores.
O policial responde ao processo em liberdade, segundo o material consultado. A acusação do Ministério Público e os elementos reunidos na investigação não substituem a decisão judicial sobre a responsabilidade criminal do réu.
O caso voltou ao debate público após Lula questionar a atuação de Flávio na defesa do policial. A discussão envolve tanto o andamento do processo quanto o papel do senador como advogado do acusado.
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