Baixa umidade no inverno acende alerta para qualidade do ar em ambientes fechados
A baixa umidade no inverno costuma ser uma característica natural dos meses mais secos do ano, mas seus impactos têm sido potencializados por eventos climáticos extremos. Além da redução das chuvas, incêndios florestais e queimadas liberam grandes quantidades de fumaça e partículas finas na atmosfera, comprometendo a qualidade do ar mesmo a centenas ou milhares de quilômetros de distância.
Quando esse cenário se combina com temperaturas mais baixas, é comum que as pessoas permaneçam mais tempo em ambientes fechados e com pouca circulação de ar. O resultado é o acúmulo de poeira, alérgenos e poluentes dentro de casas e escritórios, favorecendo o desconforto respiratório.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 99% da população mundial respira ar com níveis de poluição acima dos limites considerados seguros, e aproximadamente 7 milhões de mortes prematuras por ano estão associadas à exposição à poluição atmosférica. No Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) considera índices entre 20% e 30% como estado de atenção, entre 12% e 20% como estado de alerta, e inferiores a 12% como estado de emergência.
Embora a baixa umidade no inverno seja frequentemente associada apenas ao frio, o fenômeno está relacionado principalmente à diminuição das chuvas e à atuação de massas de ar seco, comuns durante a estação em boa parte do Brasil. Com menos vapor d’água disponível na atmosfera, a umidade relativa do ar cai e favorece o ressecamento das mucosas do nariz, da garganta e dos olhos.
Ao mesmo tempo, períodos prolongados de estiagem dificultam a dispersão dos poluentes. Entre eles, está o chamado material particulado, um conjunto de partículas microscópicas sólidas e líquidas presentes no ar. As menores delas, conhecidas como PM2,5, possuem diâmetro inferior a 2,5 micrômetros – cerca de 30 vezes menor que a espessura de um fio de cabelo – e conseguem penetrar profundamente nos pulmões, chegando até a corrente sanguínea. Já o PM10, apesar de maior, também alcança as vias respiratórias e está associado ao aumento de irritações e inflamações.
Essas partículas são emitidas principalmente por veículos, atividades industriais e queimadas. Durante os meses secos, permanecem suspensas na atmosfera por mais tempo, devido à ausência de chuvas, que normalmente ajudam a remover esses poluentes do ar. Em ambientes internos, a situação pode ser agravada pela pouca ventilação, permitindo o acúmulo de poeira, ácaros e outros agentes irritantes no ambiente, reforçando a necessidade de cuidado redobrado em locais fechados.
Os efeitos da baixa umidade no inverno começam pelas mucosas, responsáveis por formar uma barreira natural de proteção contra vírus, bactérias e partículas presentes no ar. Quando o organismo perde hidratação, essa defesa se torna menos eficiente, facilitando irritações e processos inflamatórios nas vias respiratórias.
Entre os sintomas mais comuns, estão nariz ressecado, sangramentos nasais, dor ou irritação na garganta, tosse seca, rouquidão, olhos ardendo, dor de cabeça e sensação de dificuldade para respirar. Em pessoas predispostas, o contato contínuo com poeira, fumaça e material particulado também pode desencadear ou agravar doenças como rinite alérgica, sinusite, asma, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Além disso, os impactos tendem a ser mais intensos entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas preexistentes. Crianças ainda possuem o sistema imunológico e o aparelho respiratório em desenvolvimento, enquanto idosos apresentam menor capacidade de resposta do organismo e, muitas vezes, convivem com doenças crônicas.
Embora não seja possível controlar as condições climáticas, alguns cuidados ajudam a minimizar os efeitos do período seco e melhorar a qualidade do ar dentro de casa e no ambiente de trabalho. O Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) recomendam adotar medidas simples, especialmente quando a umidade relativa do ar entra em níveis de atenção ou alerta.
Entre elas, estão:
Outra medida importante é manter os ambientes livres de poeira acumulada em tapetes, cortinas, estofados e colchões, locais que concentram ácaros e outros alérgenos.
Vale ressaltar que a baixa umidade no inverno vai além do desconforto provocado pelo clima seco. Quando associada à poluição, às queimadas e à permanência em ambientes fechados, ela aumenta os riscos para a saúde. Enquanto medidas individuais ajudam a reduzir esses impactos, ações públicas de prevenção a incêndios, monitoramento da qualidade do ar, arborização urbana e controle das emissões continuam sendo fundamentais para proteger a população nos períodos mais secos do ano.
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