Em 2026, foram registrados 11.256 mortes por câncer de próstata até agosto. Foto: SBU
Campanha inclui prostatectomias para pacientes que aguardam atendimento pelo SUS e ações de conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e saúde masculina desde a infância
Publicado 5 de novembro de 2026 às 16:30
O câncer de próstata segue como um importante desafio para a saúde pública no Brasil. Para 2026, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 77.920 novos casos da doença no país. Diante desse cenário, a Sociedade Brasileira de Urologia do Rio Grande do Norte (SBU-RN) promove mais uma edição da campanha Novembro Azul, com ações voltadas à conscientização sobre a saúde masculina, ao diagnóstico precoce e ao acesso ao tratamento.
A programação deste ano inclui mutirões de prostatectomia, cirurgia para retirada da próstata, destinados a pacientes que aguardam pelo procedimento na fila do Sistema Único de Saúde (SUS). As cirurgias serão realizadas no dia 20 de novembro, no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), e nos dias 28 e 29 de novembro, no Hospital da Polícia Militar, em Natal.
Os dados de mortalidade também reforçam a dimensão do problema. Segundo registros do painel de mortalidade do Ministério da Saúde, foram contabilizados 16.429 óbitos por câncer de próstata em 2022, 17.258 em 2023 e 17.826 em 2024. Em 2025, o número preliminar chegou a 18.468 mortes. Já em 2026, foram registrados 11.256 óbitos até agosto, também em dados preliminares. Os números podem sofrer alterações após a consolidação dos registros.
“O Novembro Azul é uma oportunidade de ampliar a conversa sobre a saúde do homem e mostrar que o cuidado não deve acontecer apenas quando aparece algum problema. A gente precisa falar sobre prevenção, diagnóstico, tratamento e também sobre o acesso à assistência. Neste ano, além de levar informação à população, a SBU-RN está mais uma vez promovendo mutirões de cirurgia, que vão beneficiar pacientes que aguardam pelo procedimento no SUS. É uma forma de unir duas frentes importantes: orientar a população e contribuir para que esses pacientes tenham acesso ao tratamento”, destaca o presidente da SBU-RN, Pedro Sales.
Diagnóstico precoce e avaliação individualizada
Um dos principais desafios no combate ao câncer de próstata é que a doença pode evoluir sem apresentar sintomas na fase inicial. Por isso, esperar por alterações urinárias ou outros sinais para procurar atendimento pode atrasar o diagnóstico.
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que os homens conversem com um urologista sobre os benefícios e os riscos do rastreamento. A orientação da entidade é que essa avaliação seja considerada a partir dos 50 anos para homens sem fatores de risco e dos 45 anos para homens negros ou com histórico familiar da doença.
A investigação pode envolver o exame de sangue PSA (Antígeno Prostático Específico) e o toque retal, que permite ao médico avaliar características da próstata. Os exames são complementares, e a indicação deve considerar o histórico e as condições de cada paciente, em decisão compartilhada com o especialista.
Em fases mais avançadas, o câncer de próstata pode provocar dificuldade para urinar, aumento da frequência urinária, sangue na urina ou no sêmen e dores ósseas. Esses sintomas, porém, não são exclusivos da doença e precisam de avaliação médica.
“Ainda existe muito receio e desinformação quando se fala em saúde masculina, especialmente em relação ao câncer de próstata. Por isso, é importante que o homem se sinta à vontade para conversar com o urologista, tirar dúvidas e entender quais cuidados fazem sentido para o seu caso. O câncer de próstata pode não apresentar sintomas no início, então não devemos esperar que apareça algum sinal para procurar orientação. A avaliação precisa considerar a idade, o histórico familiar e outros fatores de risco, sempre com uma decisão compartilhada entre médico e paciente”, comentou Sales.

Tratamentos variam conforme o estágio da doença
O diagnóstico de câncer de próstata não significa que todos os pacientes precisarão do mesmo tratamento. A conduta depende do estágio do tumor, de sua agressividade, da idade e das condições clínicas do paciente, além das decisões tomadas em conjunto com a equipe médica.
Entre as possibilidades estão a cirurgia, a radioterapia e, conforme o caso, tratamentos hormonais, quimioterapia e outras terapias sistêmicas.
A prostatectomia pode ser realizada por diferentes técnicas, incluindo a cirurgia aberta, a laparoscópica e a assistida por robô. A cirurgia robótica permite ao cirurgião controlar instrumentos com precisão e visualizar a área operada em alta definição. A escolha da técnica depende das características do tumor, das condições do paciente e da disponibilidade de recursos e equipe especializada.
“A urologia avançou bastante no tratamento do câncer de próstata, tanto nas técnicas cirúrgicas quanto nas outras opções terapêuticas. A cirurgia robótica é um exemplo desses avanços, mas é importante entender que não existe uma única abordagem adequada para todos os pacientes. A escolha depende das características do tumor, das condições clínicas e das necessidades de cada pessoa. O mais importante é que o paciente tenha acesso a uma avaliação especializada e receba informações claras para decidir, junto com a equipe médica, qual é a melhor estratégia para o seu caso”, explica o urologista.
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