Rogério Marinho - Foto: Ton Molina/Agência Senado

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Disputa PL oficializa candidatura de Rogério Marinho à presidência do Senado com foco em anistia

Senador potiguar conta com base inicial de 32 parlamentares, defende voto aberto na Mesa Diretora e tenta unificar votos da oposição contra Davi Alcolumbre

por: NOVO Notícias

Publicado 5 de novembro de 2026 às 08:03

O Partido Liberal (PL) lançou oficialmente nesta quarta-feira (04) a candidatura do senador potiguar Rogério Marinho (RN) à presidência do Senado Federal. Atual líder da oposição na Casa e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, Marinho estabeleceu como principais diretrizes a votação do projeto de anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado, a defesa do voto aberto na eleição interna da Casa e o equilíbrio de forças institucionais.

O anúncio ocorreu após reunião com cerca de 30 parlamentares na sede nacional da legenda, em Brasília. O encontro contou com a presença de senadores como Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e dos senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Deltan Dallagnol (Novo-PR). “Fui escolhido pelos nossos companheiros para representar a direita”, declarou o candidato potiguar após o encontro.

A eleição para a Mesa Diretora está marcada para o dia 1º de fevereiro de 2027. Para vencer no primeiro turno, o postulante precisa obter a maioria absoluta da Casa, alcançando pelo menos 41 dos 81 votos possíveis. Pelas regras atuais do regimento, a votação ocorre por escrutínio secreto (em cédula sigilosa).

Aritmética do plenário e concorrência

A partir da nova legislatura em 2027, o PL passará a ter a maior bancada individual do Senado, ocupando 29 assentos. Com o apoio já formalizado dos três senadores eleitos pelo partido Novo, Marinho dispõe de um bloco de partida de 32 votos — contingente equivalente a quase 40% do plenário.

Para alcançar a meta dos 41 votos, Marinho terá de dialogar com bancadas do centro e contornar a concorrência interna na direita. A senadora e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS) mantém pré-candidatura própria ao comando do Congresso, gerando um impasse no campo conservador. Marinho afirmou que conversou com ela para buscar uma convergência no momento adequado.

No polo oposto, o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), desponta na disputa amparado por articulações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e partidos do Centrão. Embora a federação União Progressista (formada pelo União Brasil e pelo PP) tenha manifestado apoio à reeleição de Alcolumbre, a decisão enfrenta focos de resistência entre senadores de oposição filiados aos dois partidos.

Pauta da anistia, voto aberto e postura sobre o STF

Marinho defendeu o uso da presidência para pautar proposições legislativas que estão paralisadas e contam com o apoio da bancada oposicionista, especialmente a anistia judicial: “O Congresso Nacional vai nos dar condição de destravar a pauta e vamos permitir que o projeto da anistia seja apreciado”, sustentou.

O senador defendeu ainda o fim do segredo no pleito interno do Senado, classificando a transparência na escolha da presidência como essencial para impedir que parlamentares contrariem promessas de campanha. Enquanto o formato de voto secreto persistir, interlocutores da campanha planejam incentivar os apoiadores a declararem seus votos abertamente em plenário e nas redes sociais.

Questionado sobre pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), prerrogativa exclusiva do Senado, Marinho evitou adotar um discurso revanchista, mas sinalizou que não travará pedidos fundamentados.

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