A expectativa pelo resultado das eleições pode intensificar as emoções e aumentar o desgaste mental. | Foto: Reprodução
A espera pelo resultado da eleição pode provocar ansiedade, irritação e dificuldade para dormir. Em um cenário de forte polarização política, as divergências também podem gerar discussões entre familiares e amigos. Psicólogas orientam que as pessoas reconheçam o que estão sentindo, evitem reagir no calor do momento e façam pausas no consumo de notícias e redes sociais.
A psicóloga Flávia Marsola, do Hospital Brasília Águas Claras, recomenda reconhecer a própria reação antes de responder a uma provocação, explicou ao Metrópoles. Perceber a raiva, o medo ou a ansiedade pode ajudar a evitar uma resposta impulsiva.
O cuidado vale para conversas em grupos de família e nas redes sociais. Se a discussão começar a esquentar, uma pausa pode ajudar. Também é possível encerrar a conversa sem transformar a divergência em briga.
Marsola lembra que ninguém controla sozinho o resultado da eleição. Aceitar isso não significa concordar com o resultado, mas entender que ele não depende de uma única pessoa. Quem fica frustrado com o resultado também pode ter pensamentos pessimistas sobre o futuro. Segundo a especialista, esses pensamentos não significam que algo ruim necessariamente vai acontecer.
Para algumas pessoas, a eleição também envolve o medo de perder direitos ou de sofrer mudanças na própria rotina. Mulheres, pessoas negras, indígenas, integrantes da população LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência e quilombolas, por exemplo, podem se preocupar com decisões que afetem seus direitos e sua segurança. Quem depende de políticas públicas também pode temer mudanças no acesso a serviços essenciais.
A psicóloga Yamara Garcia, do Grupo Reinserir, em São Paulo, explica que o clima político pode aumentar a preocupação quando falas de candidatos são vistas como ameaças a direitos já conquistados. Isso pode deixar algumas pessoas com medo do que virá após a eleição.
O resultado não afeta todo mundo da mesma forma. Algumas pessoas podem sentir alívio ou alegria; outras, frustração e medo. O importante é não tratar o sofrimento alheio como exagero, mesmo quando a reação é diferente da sua.
Durante a eleição, é fácil passar horas acompanhando pesquisas, vídeos e comentários. Mas ficar conectado o tempo todo pode aumentar a tensão e dificultar as pausas necessárias para descansar a cabeça.
Marsola chama a atenção para outro comportamento: procurar apenas notícias que confirmem o que já pensamos e enxergar opiniões contrárias como ataques pessoais. Isso pode tornar as conversas nas redes sociais ainda mais tensas.
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Uma saída é definir momentos do dia para acompanhar as notícias e fechar os aplicativos por algum tempo. Se estiver com muita raiva ou ansiedade, adie a discussão. É possível continuar informado sem acompanhar cada atualização.
A preocupação merece atenção quando começa a atrapalhar o sono, a alimentação, a concentração, o trabalho ou os estudos. Irritação constante e dificuldade para parar de acompanhar as notícias também são sinais que não devem ser ignorados.
Se o sofrimento persistir ou atrapalhar a rotina, procure um profissional de saúde mental. Não é preciso esperar que a situação piore para pedir ajuda.
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