Cotidiano

Saúde Queimaduras, feridas e danos aos dentes: cirurgiã-dentista alerta para riscos do clareamento caseiro sem orientação

Promessas de resultados rápidos escondem riscos; Anvisa já proibiu produtos irregulares e dentista alerta para os perigos de receitas caseiras e kits usados sem orientação profissional

por: Foto do autor Juliana Manzano

Publicado 20 de outubro de 2026 às 16:12

A busca por dentes mais brancos tem levado consumidores a recorrer a fitas clareadoras, géis e receitas caseiras divulgadas nas redes sociais. A promessa de um sorriso perfeito, com aplicação simples e resultados rápidos, pode esconder riscos à saúde bucal, especialmente quando o produto é utilizado sem avaliação odontológica.

A cirurgiã-dentista Dra. Gabriela Cavalcante alerta que o principal perigo está em utilizar substâncias clareadoras sem saber se os dentes e as gengivas estão saudáveis ou se existem condições que contraindiquem o procedimento naquele momento. “O clareamento não é apenas uma questão estética. É um procedimento que precisa de avaliação e orientação profissional para ser realizado com segurança”, destaca a dentista.

Cáries, retração gengival, trincas e sensibilidade preexistente podem passar despercebidas pelo paciente e se agravar com o uso inadequado de clareadores. Entre os efeitos adversos estão dor, sensibilidade intensa, irritação e queimaduras nos tecidos da boca. Dependendo da substância, da concentração e do tempo de exposição, também podem ocorrer danos à superfície do esmalte e perda de tecido dental, com consequências potencialmente permanentes.

Produtos irregulares acendem alerta

A preocupação não se limita às receitas improvisadas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já determinou medidas de proibição e recolhimento de produtos anunciados para clareamento dental, incluindo fitas comercializadas irregularmente. Entre os casos estão as fitas Oiwhite e 9D White Teeth Whitening Strips, que apresentaram problemas relacionados à regularização sanitária.

Segundo a Anvisa, os clareadores dentais precisam estar regularizados para a finalidade a que se destinam. Produtos com concentração superior a 3% de peróxido de hidrogênio estão sujeitos à prescrição por profissional habilitado, mediante receita. A embalagem desses produtos deve trazer a indicação de venda sob prescrição.

A dentista ressalta que aparência profissional, comentários positivos e fotografias de antes e depois não comprovam a segurança de um produto.

“Na internet, uma boa apresentação pode vender um produto, mas não garante a sua segurança”, alerta Gabriela. A orientação é verificar a identificação do fabricante, a composição, o lote, a validade, as instruções de uso e a regularização sanitária aplicável.

Limão, bicarbonato e carvão ativado: soluções que podem prejudicar o sorriso

Outra preocupação são as receitas caseiras que prometem clarear os dentes com ingredientes facilmente encontrados em casa. O limão, por exemplo, é ácido e pode provocar erosão do esmalte. Já o uso improvisado de bicarbonato e produtos abrasivos não equivale a um tratamento clareador odontológico. O carvão ativado, por sua vez, não apresenta evidências clínicas robustas de que proporcione um clareamento seguro e previsível.

A água oxigenada também exige cuidado: a concentração e o tempo de contato influenciam os riscos de irritação e queimaduras nos tecidos da boca. “Uma dica muito compartilhada nas redes sociais não se transforma em um tratamento seguro só porque muitas pessoas dizem que funcionou”, afirma a cirurgiã-dentista.

Clareamento em casa pode ser feito com orientação profissional

O chamado clareamento caseiro não é necessariamente inseguro. Ele pode ser realizado com acompanhamento odontológico, desde que haja avaliação prévia, indicação adequada e orientação sobre o produto, a concentração e o tempo de utilização.

O Conselho Federal de Odontologia (CFO) reforça que a supervisão do cirurgião-dentista é fundamental para avaliar as condições de saúde bucal, identificar possíveis contraindicações e conduzir o tratamento de acordo com as necessidades de cada paciente.

Quem já iniciou o uso de um kit por conta própria deve suspender a aplicação até receber orientação profissional. Dor persistente, sensibilidade intensa, ardência, feridas, inchaço ou queimaduras na boca exigem avaliação. Dificuldade para respirar ou engolir requer atendimento de emergência.

Para Gabriela, a principal orientação é não colocar a saúde em risco por promessas de resultados imediatos. “O primeiro passo é procurar um cirurgião-dentista para uma avaliação individualizada. Nem toda alteração de cor responde da mesma forma ao tratamento, e restaurações, coroas e facetas, por exemplo, não clareiam como os dentes naturais.” A regularização de produtos pode ser consultada nos sistemas oficiais da Anvisa: https://consultas.anvisa.gov.br/. A recomendação é buscar avaliação odontológica antes de iniciar qualquer clareamento dental.

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