Debate na Band: Flávio Bolsonaro e Lula trocam acusações de corrupção e ataques pessoais
O primeiro debate televisivo de segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), transmitido na noite deste domingo (18) pelo pool formado pela TV Bandeirantes e pelo jornal O Estado de S. Paulo, foi marcado por confrontos diretos em temas de política externa, economia e segurança pública. O bloco de encerramento registrou momentos de tensão, gritaria e assovios da plateia presente nos estúdios em São Paulo, obrigando a mediadora Adriana Araújo a intervir para pedir silêncio aos convidados e solicitar que o postulante do PL parasse de caminhar atrás do adversário durante as falas finais.
Durante o bloco destinado a temas internacionais e soberania nacional, Lula acusou a família do parlamentar de subordinação direta a interesses dos Estados Unidos e de atuar no exterior em favor de tarifas prejudiciais a exportações brasileiras. O petista também questionou os planos de Flávio para a exploração mineral de terras raras por capitais norte-americanos, afirmando que a oposição articula agendas contrárias ao país em Washington. Em resposta, o senador rejeitou a tese de dependência externa e sustentou ter viajado aos Estados Unidos para defender interesses de empresas nacionais, contra-atacando ao afirmar que o presidente teria buscado interlocução com o governo de Donald Trump para tentar evitar o enquadramento de facções criminosas nacionais, como o PCC e o Comando Vermelho, na condição de grupos terroristas internacionais. Flávio declarou ainda que atuará em regime de cooperação de inteligência contra o narcotráfico ao lado de países vizinhos como Argentina e Bolívia.
A economia foi outro ponto central de atrito quando Lula pressionou o oponente a esclarecer se pretendia replicar no Brasil as medidas de contenção fiscal aplicadas pelo presidente argentino Javier Milei. Questionado diretamente pelo mandatário se utilizaria a “motosserra emprestada de Milei” no orçamento público, Flávio evitou comprometer-se com o modelo do mandatário vizinho e rebateu citando líderes de esquerda na América Latina, como Daniel Ortega na Nicarágua e Nicolás Maduro na Venezuela. O senador declarou que a direita assumiu uma Argentina deixada na miséria por gestões anteriores e afirmou que, em eventual governo, aplicará “um tesouraço na corrupção” da administração petista.
No campo das propostas para o setor educacional, Lula anunciou que, em caso de recondução ao Palácio do Planalto, criará o programa “Pé-de-Meia Professor”, iniciativa destinada a conceder estímulos financeiros para que os estudantes de melhor desempenho nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ingressem em cursos de licenciatura e optem pela carreira docente nas escolas públicas do país.
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