Flávio Bolsonaro afirmou ter buscado recursos para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. | Foto: Reprodução

Cotidiano

Filme Liquidante do Banco Master diz à Câmara não haver registro de patrocínio a filme sobre Bolsonaro

Parecer enviado a requerimento do deputado Lindbergh Farias aponta inexistência de contratos da instituição financeira com o fundo Havengate

por: NOVO Notícias

Publicado 17 de outubro de 2026 às 12:07

A empresa responsável pela liquidação extrajudicial do extinto Banco Master informou à Câmara dos Deputados que não localizou nenhum registro contábil, documento contratual ou operação financeira que comprove o patrocínio ou aporte de recursos da instituição financeira para o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A manifestação técnica contradiz a versão reiterada pelo senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), que vem sustentando publicamente que os repasses negociados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro possuíam natureza comercial de investimento publicitário.

Em entrevista concedida ao Jornal Nacional durante o primeiro turno das eleições, Flávio declarou expressamente que as tratativas envolviam exclusivamente patrocínio e que não houve repasse direto para suas contas pessoais. Já na sabatina de segundo turno realizada na última sexta-feira, o parlamentar foi confrontado sobre a diferença entre os R$ 134 milhões solicitados a Vorcaro e o custo de produção de R$ 75 milhões apurado pelas investigações, argumentando que o contrato inicial não foi integralmente cumprido e que a conclusão da obra cinematográfica dependeu do somatório de aportes parciais do banqueiro e de outros investidores privados.

O parecer oficial foi encaminhado à Mesa Diretora da Câmara pela administradora da massa falida, a EPB Regimes Especiais de Empresas, em resposta a um requerimento formal de informações protocolado pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). No documento, assinado pelo gestor Eduardo Felix Bianchin, a liquidante afirma categoricamente que, após consultas aos acervos e livros fiscais das empresas do conglomerado, não foram encontrados documentos, registros contábeis ou contratos que evidenciem o financiamento, patrocínio ou destinação de receitas para a produção cinematográfica, seja de forma direta ou por intermediação de terceiros.

A declaração contábil atinge um dos pontos centrais do inquérito conduzido pela Polícia Federal no Supremo Tribunal Federal (STF), que apura suspeitas de evasão de divisas, lavagem de capitais, corrupção ativa e formação de organização criminosa na montagem da obra.

De acordo com o relatório da corporação policial, embora o ex-banqueiro tenha pactuado o valor global de R$ 134 milhões, o envio efetivo ao exterior alcançou US$ 12,3 milhões por meio de uma engenharia paralela que utilizou a empresa Entre Investimentos e Participações para direcionar os valores ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado nos Estados Unidos administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro.

A administradora judicial também certificou à Câmara que os livros do banco não trazem qualquer menção ao veículo de investimento no exterior. O parecer destaca que não foram localizados registros ou operações das instituições liquidadas com o mencionado fundo Havengate que possam ter conexão com a produção do longa-metragem.

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