Dr. Helder Montenegro, CEO do Grupo Velas

Opinião

Saúde Fisioterapia: inovação sem perder o lado humano

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,6 bilhões de pessoas no mundo convivem com condições que podem se beneficiar da reabilitação

por: Dr. Helder Montenegro, CEO do Grupo Velas

Publicado 17 de outubro de 2026 às 10:14

Voltar a caminhar depois de um acidente, recuperar os movimentos após um AVC ou simplesmente conseguir subir uma escada sem dor. Para quem enfrenta essas dificuldades, pequenos gestos representam grandes conquistas. É nesse processo de recuperação da autonomia que a fisioterapia revela sua importância. E, cada vez mais, a tecnologia tem ajudado a ampliar essas possibilidades.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,6 bilhões de pessoas no mundo convivem com condições que podem se beneficiar da reabilitação. O número mostra a dimensão de um desafio que tende a crescer com o envelhecimento da população e o avanço das doenças crônicas.

A profissão também vive uma transformação. Recursos como inteligência artificial, sensores de movimento, realidade virtual e equipamentos robóticos estão abrindo novas possibilidades para avaliar limitações físicas, acompanhar a evolução dos pacientes e personalizar tratamentos.

O avanço não está restrito aos equipamentos. Em 2025, o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito) regulamentou permanentemente modalidades de atendimento remoto, incluindo teleconsulta e telemonitoramento. A medida representa mais uma possibilidade de ampliar o acompanhamento dos pacientes, respeitando as necessidades clínicas e os critérios de segurança.

Mas precisamos fazer uma reflexão: inovar não significa apenas incorporar máquinas à rotina clínica. De nada adianta ter acesso à tecnologia mais moderna se não conseguimos compreender as necessidades de quem está diante de nós.

Um paciente não é apenas um diagnóstico ou um conjunto de indicadores. É alguém que sente dor, enfrenta limitações, tem receios e deseja recuperar sua independência. Nenhum algoritmo substitui a escuta, o olhar atento e a sensibilidade de um profissional preparado.

Em outubro, mês em que celebramos o Dia do Fisioterapeuta, temos a oportunidade de reconhecer os avanços da profissão e, principalmente, discutir como torná-los acessíveis à população. A inovação precisa estar a serviço das pessoas, e não o contrário.

O futuro da fisioterapia não será definido apenas pela sofisticação dos equipamentos, mas pela capacidade de unir conhecimento científico, tecnologia e cuidado humano. Afinal, a maior conquista da profissão continuará sendo devolver às pessoas a liberdade de viver.

>> Receba notícias do NOVO em tempo real pelo WhatsApp

Tags