Plano de Lula para 2027 a 2030 prevê manter o arcabouço fiscal, ampliar investimentos, continuar o Novo PAC e manter a valorização real do salário mínimo. | Foto: Reprodução
A empresa de tecnologia OpenAI, desenvolvedora da ferramenta de inteligência artificial ChatGPT, enviou um comunicado formal à Polícia Federal (PF) alertando que ao menos dois usuários cadastrados na plataforma manifestaram, em conversas com o sistema digital, a intenção de praticar atentados violentos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. A informação foi revelada nesta quinta-feira (15) pelo jornal Folha de S.Paulo com base em relatórios internos da companhia.
No documento encaminhado às autoridades brasileiras, a empresa de tecnologia justificou a quebra de sigilo e a notificação de emergência ao constatar elementos que apontam “risco de morte ou lesão física grave”. A conta de um dos autores das ameaças foi desativada no início de outubro e os metadados de acesso foram repassados à corporação. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, submeteu os dados ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a quem cabe autorizar a instauração formal de inquéritos policiais por crimes de ameaça, injúria e segurança contra a integridade do chefe de Estado. A OpenAI informou que também notificou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cumprimento das diretrizes de seu plano de conformidade eleitoral.
Os relatórios detalham que um dos usuários mantinha diálogos frequentes com a inteligência artificial desde janeiro. Nos registros de setembro, o indivíduo narrou ter visualizado o presidente em um palanque de campanha a cerca de 400 metros de distância e manifestou desejo de desferir disparos na cabeça do mandatário, questionando o robô sobre as penas de reclusão cabíveis em caso de homicídio consumado. Ele chegou a anexar a fotografia de uma torre urbana como posição privilegiada para disparos e pesquisou sobre o manuseio de fuzis de precisão AR-15 com lunetas, binóculos e rotas de fuga. O mesmo perfil já havia compartilhado imagens de armas brancas, declarações de agressão contra familiares, referências nazistas e discursos sobre massacres coletivos.
Esta não é a primeira cooperação da empresa com os órgãos de segurança pública no país. Em junho, uma comunicação da OpenAI resultou na prisão de um homem no Espírito Santo investigado por utilizar a inteligência artificial para planejar o assassinato do próprio filho de 8 anos com o objetivo de cessar o pagamento de pensão alimentícia. Naquela ocasião, os técnicos da empresa acionaram o FBI nos Estados Unidos, que transmitiu o alerta ao Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do Ministério da Justiça, responsável por mobilizar a Polícia Civil capixaba.
O chefe de políticas públicas da OpenAI para a América Latina, Bruno Lewicki, afirmou em entrevista à Folha que o cenário político brasileiro opera atualmente como um dos principais testes globais para o monitoramento de ameaças e o uso ético de tecnologias de IA em períodos de disputa democrática. Sob a legislação penal brasileira, o crime de ameaça prevê pena de detenção de um a seis meses ou aplicação de multa.
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