PGR informou que "não houve depoimento oral de Vorcaro justamente por conta da rejeição da proposta [de colaboração premiada]". Foto: Reprodução
Se o registro tiver sido realizado no Complexo Penitenciário da Papudinha, em Brasília, onde o ex-banqueiro está recolhido, a captação configura ilegalidade
Publicado 9 de outubro de 2026 às 16:31
Procuradores que acompanham as investigações do Banco Master e advogados de defesa suspeitam que o áudio de Daniel Vorcaro foi gravado de forma ilegal dentro da prisão para ser utilizado politicamente contra Luiz Inácio Lula da Silva durante o período de campanha eleitoral.
Na gravação divulgada pela revista Veja, o ex-banqueiro relata ter negociado o pagamento de propinas com o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para viabilizar acesso a fundos de pensão federais. Segundo o relato gravado, uma parcela de R$ 30 milhões teria sido destinada ao financiamento do filme “Lula”, dirigido pelo cineasta Oliver Stone.
A campanha de Lula nega as acusações, sustenta a hipótese de adulteração no material e confirmou o acionamento da Polícia Federal (PF) para apurar a procedência do áudio.
De forma simultânea, a equipe de produção do cineasta Oliver Stone declarou que jamais solicitou ou recebeu recursos de Daniel Vorcaro, ressaltando que também nunca tomou conhecimento de qualquer repasse dessa natureza.
Suspeitas sobre a gravação
Se o registro tiver sido realizado no Complexo Penitenciário da Papudinha, em Brasília, onde o ex-banqueiro está recolhido, a captação configura ilegalidade. As normas da unidade proíbem a entrada de visitantes portando celulares ou gravadores.
Integrantes do grupo de defesa de Vorcaro, composto por 23 profissionais, avaliam que o áudio pode ser mais antigo, tendo sido vazado intencionalmente no momento eleitoral. Entre as hipóteses levantadas internamente estão a gravação indevida por agentes públicos, por advogados da própria equipe jurídica ou por visitantes que burlaram o controle prisional.
Registra-se ainda que, durante o período em que esteve sob custódia na Polícia Federal, advogados tinham autorização para acessar a cela com computadores e gravadores com a finalidade de colher dados para colaboração premiada. Já na Papudinha, o monitoramento inclui videochamadas que poderiam ter sido gravadas.
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Ausência em acordos e manifestações oficiais
Procuradores e defensores asseguram que a menção a repasses para o documentário jamais constou em propostas de delação premiada, assim como nenhum arquivo de áudio foi remetido à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Advogados confirmaram apenas que Vorcaro chegou a citar, em diálogos informais, supostas contribuições para produções sobre Jair Bolsonaro, Michel Temer e Lula. Como não apresentou provas ou detalhamentos, o tema ficou fora das tratativas de colaboração. Esclarecimentos posteriores à PGR ocorreram somente após a divulgação pública do financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Bolsonaro, sem acusações direcionadas a Flávio Bolsonaro.
Em nota oficial, a PGR informou que “não houve depoimento oral de Vorcaro justamente por conta da rejeição da proposta [de colaboração premiada], cujos motivos foram expostos à defesa”, reforçando que mantém o sigilo legal sobre o procedimento. A Polícia Federal também negou que o ex-banqueiro tenha prestado depoimento formal ou entregue registros sobre o documentário de Oliver Stone nas tratativas de acordo.
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