Área em recuperação no município de Currais Novos, no Seridó potiguar | Foto: OASA

Cotidiano

MEIO AMBIENTE Árvores voltam a crescer onde havia solo exposto e desertificação no RN, diz OASA

Organização afirma ter produzido e distribuído cerca de 1,4 milhão de mudas no estado; projeto de recuperação ambiental tem ações em Currais Novos e outras regiões do RN

por: NOVO Notícias

Publicado 6 de outubro de 2026 às 13:29

Onde antes havia solo exposto, pedras e sinais de degradação, árvores começam a crescer de novo. Segundo a Organização Atitude Social e Ambiental (OASA), esse é o resultado de ações de recuperação realizadas em áreas do RN atingidas pela degradação dos solos e pelo processo de desertificação.

Em Currais Novos, no Seridó potiguar, a OASA desenvolve ações de recuperação da Caatinga por meio do Projeto Mais Verde. O trabalho envolve produção de mudas, preparação do terreno, plantio, irrigação, manutenção e acompanhamento das áreas recuperadas.

“Dentro do projeto Mais Verde, temos a recuperação da Caatinga, especialmente em áreas atingidas pela degradação dos solos e pelo processo de desertificação”, explica a ambientalista e presidente da OASA, Anne Delgado.

Como começa a recuperação

Segundo Anne, o trabalho começa muito antes de a árvore crescer. É preciso produzir as mudas, preparar a área e manter os cuidados depois do plantio para que elas consigam se desenvolver nas condições do Semiárido.

“Produzir árvores, plantar, recuperar áreas degradadas, proteger nascentes, promover educação ambiental, mobilizar comunidades e construir soluções capazes de deixar um legado para as próximas gerações”, afirma.

Fundada em 2007, a OASA informa que já produziu e distribuiu aproximadamente 1,4 milhão de mudas no Rio Grande do Norte. Segundo a organização, as ações incluem recuperação da Caatinga e da Mata Atlântica, proteção de nascentes, arborização e educação ambiental.

Em Currais Novos, OASA e Prefeitura também firmaram uma parceria para o desenvolvimento do Projeto Mais Verde. O acordo prevê a implantação de um viveiro de espécies nativas da Caatinga, o fornecimento de mudas para arborização e ações de educação ambiental.

Desafio no Semiárido

A recuperação é mais difícil em áreas do Seridó com pouca cobertura vegetal, presença de pedras e sinais de degradação. É nesse cenário que o Projeto Mais Verde atua. Para Anne, uma área degradada não deve ser vista como uma área definitivamente perdida. “Onde muitos enxergam apenas uma terra degradada, a OASA enxerga uma floresta que ainda pode nascer”, afirma.

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O trabalho não fica restrito a Currais Novos. A OASA informa que também mantém ações de restauração em outros municípios do Seridó, projetos de recuperação de nascentes no Alto Oeste e iniciativas de formação de novas áreas verdes no Agreste e em Extremoz.

Em 2026, Currais Novos recebeu o Prêmio Legado Ambiental – Cápsula do Tempo, concedido pela OASA em parceria com o Museu Câmara Cascudo da UFRN. O reconhecimento está relacionado ao trabalho desenvolvido pelo Projeto Mais Verde no município.

Caatinga, solo e água

A recuperação da vegetação também está ligada à proteção do solo, da água e da biodiversidade. A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e reúne espécies adaptadas às condições do Semiárido.

Dados citados pela OASA, com base em pesquisas do Instituto Nacional do Semiárido (INSA) e do Observatório da Caatinga e Desertificação, apontam que áreas florestais do Semiárido brasileiro podem retirar da atmosfera até 7 toneladas de CO₂ por hectare por ano, dependendo das condições da área. “Não basta falar sobre mudanças climáticas; é preciso agir sobre suas causas e consequências”, defende Anne.

Para a ambientalista, recuperar a Caatinga também pode ajudar a reduzir os impactos das secas e de eventos climáticos extremos. Por isso, ela defende a ampliação dos investimentos em projetos de produção de mudas, recuperação de áreas degradadas e acompanhamento das plantas depois do plantio.

Cápsula será aberta em 2074

Além do Projeto Mais Verde, Anne é idealizadora da Cápsula do Tempo, instalada em 22 de abril de 2024. A cápsula foi criada para guardar por 50 anos cartas, vídeos, documentos e outros registros sobre o meio ambiente. A previsão é que o material seja aberto em 22 de abril de 2074.

A proposta é que, quando a cápsula for aberta, as próximas gerações encontrem registros dos problemas ambientais atuais e das ações que começaram a ser feitas para recuperar essas áreas.

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