Tendência é de temperaturas acima do normal, em especial no litoral, com Natal podendo chegar a 33°C a 34°C | Foto: Reprodução
Meteorologista Gilmar Bistrot, da Emparn, estima máximas de 33°C a 34°C no litoral e de 38°C a 39°C no interior; El Niño pode influenciar o clima até os primeiros meses de 2027
Publicado 28 de setembro de 2026 às 15:28
O Rio Grande do Norte poderá ter um verão de 2027 com temperaturas acima da média. Segundo o meteorologista Gilmar Bistrot, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn), a elevação pode variar de 1°C a 2,5°C em alguns períodos, principalmente em janeiro e fevereiro. Ele relaciona a tendência à atuação do fenômeno El Niño e avalia que o aumento poderá ser mais perceptível no litoral.
Em Natal, onde a temperatura máxima média no verão fica entre 31°C e 32°C, os termômetros poderão chegar a 33°C ou 34°C em alguns momentos. No interior, regiões como o Seridó, Mossoró e o Alto Oeste podem registrar máximas entre 38°C e 39°C.
“O que nós estamos esperando é que a temperatura atinja, em alguns momentos, até 33, 34 graus, em torno de 2 a 2,5 graus acima da média para o verão, nos meses de janeiro e fevereiro, principalmente”, afirma Bistrot.
Apesar da tendência de temperaturas elevadas, ainda não é possível afirmar que o próximo verão será o mais quente já registrado no Estado. A ocorrência de chuvas e a atuação de outros sistemas meteorológicos entre dezembro e fevereiro podem alterar o comportamento das temperaturas.
O aumento pode ser mais perceptível no litoral, onde as temperaturas médias são menores do que no interior. Segundo Bistrot, a circulação dos ventos também interfere na sensação térmica. Com menos vento, a umidade tende a permanecer mais próxima da superfície, o que dificulta a evaporação do suor.
“Com menos circulação do ar, o ar fica parado, a umidade fica parada e, consequentemente, as pessoas têm dificuldade de transpirar”, afirma. No interior, o cenário é diferente. “Falar em temperaturas altas no interior do Estado é meio que chover no molhado, porque já é quente lá”, diz o meteorologista.
Segundo ele, as temperaturas podem chegar normalmente a 38°C ou 39°C no Seridó, em Mossoró e no Alto Oeste. Nesses locais, a umidade do ar pode fazer diferença na sensação de calor. “Se a umidade estiver muito baixa, o calor que está de 38 graus, com a umidade baixa, o impacto é muito maior. O corpo sofre muito mais”, explica.
Além da influência do El Niño, Bistrot também cita fatores ligados ao crescimento urbano de Natal ao falar sobre as temperaturas registradas na cidade.
O meteorologista aponta a impermeabilização do solo, o crescimento vertical da cidade, a retirada de áreas verdes e o aumento das áreas asfaltadas como fatores relacionados à formação da chamada ilha de calor urbana.
Segundo ele, esse efeito pode ser percebido principalmente nas temperaturas mínimas. Nas décadas de 1960 e 1970, afirma ele, as mínimas registradas em Natal durante janeiro e fevereiro ficavam em torno de 23°C a 24°C. Atualmente, segundo o meteorologista, já ultrapassam os 26°C. “Tudo isso gera calor e gera desconforto térmico. Então, as pessoas têm que se preparar”, afirma.
Bistrot ressalta que o efeito urbano independe da atuação do El Niño. “Natal já é uma ilha de calor. Ela já produz calor. Independente do El Niño ou não, a temperatura aqui no verão vai aumentar”, diz.
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico, na faixa equatorial, ficam mais aquecidas que o normal. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode provocar mudanças no clima de diferentes regiões.
Segundo Bistrot, o fenômeno pode favorecer a formação de áreas de alta pressão sobre o Nordeste. Na avaliação do meteorologista, esse cenário pode reduzir a circulação dos ventos e contribuir para a elevação das temperaturas.
“Essa condição impõe a formação dessa alta pressão, fazendo com que haja um bloqueio e, consequentemente, diminuição do vento e aumento da temperatura”, explica.
O El Niño está atuando desde o fim de maio ou início de junho, mas seus efeitos ainda não foram percebidos de forma clara sobre o Nordeste. A expectativa apresentada por ele é de que o fenômeno ganhe maior intensidade entre outubro e novembro. “Por enquanto, o Nordeste ainda não está sentindo os impactos do El Niño”, afirma.
A previsão apresentada pelo meteorologista é de que a atuação do fenômeno se estenda até pelo menos março ou abril de 2027, abrangendo praticamente todo o verão.
A temperatura final do verão também dependerá da ocorrência de chuvas. Entre dezembro e fevereiro, sistemas meteorológicos transientes podem provocar precipitações no Nordeste. Bistrot explica que a formação de chuva consome energia da atmosfera e pode contribuir para a redução das temperaturas. “O processo para fazer chuva consome energia, consome calor”, explica.
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O meteorologista afirma que há estudos indicando que episódios de El Niño podem favorecer a atuação de sistemas associados à passagem de frentes frias para latitudes mais baixas, aumentando a possibilidade de instabilidades e chuvas em algumas áreas.
Por isso, ele evita antecipar que o próximo verão será o mais quente já registrado no RN. “Não dá para dizer ainda se 2027 será o verão mais quente aqui sobre o Estado”, ressalta.
Bistrot não descarta a possibilidade de ondas de calor durante o verão, mas afirma que isso dependerá da movimentação das massas de ar quente e de outros sistemas atmosféricos sobre a América do Sul. Até o momento, segundo ele, não foi observada uma situação que indique a entrada de uma onda de calor prolongada no Nordeste.
Caso isso aconteça, o impacto poderá ser diferente entre as regiões do Estado. No interior, temperaturas próximas ou superiores a 38°C já são registradas em determinadas épocas.
O Seridó está entre as áreas que podem apresentar os maiores valores. Bistrot lembra que Caicó já registrou aproximadamente 40°C em setembro em anos anteriores.
Mesmo antes da chegada do verão, a população potiguar poderá sentir períodos de temperaturas mais elevadas. Segundo Bistrot, a primavera pode ter calor acima do padrão, especialmente com a intensificação do El Niño prevista para os meses seguintes.
Ao mesmo tempo, a passagem de frentes frias por áreas mais ao sul do continente poderá provocar instabilidades e até chuvas isoladas no Nordeste. O meteorologista resume a expectativa para os próximos meses com uma frase: “Essa primavera vai estar com gosto de verão.”
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