Entenda a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a campanha de Flávio Bolsonaro

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Batalha espiritual Entenda a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a campanha de Flávio Bolsonaro

Candidato reagiu após informação sobre suposto projeto ganhar as redes; proposta mencionada foi apresentada em 2007 por outro deputado

por: NOVO Notícias

Publicado 25 de setembro de 2026 às 13:46

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) veio a público desmentir boatos que circularam nas redes sociais afirmando que, caso seja eleito, planeja apresentar um projeto de lei para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

Em um vídeo publicado na noite de quinta-feira (24), o parlamentar repudiou os rumores: “Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto”, afirmou, acusando o PT de utilizar o episódio para fins eleitorais.

A controvérsia ganhou força na internet após um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes durante o programa Em Pauta, da GloboNews. Ao analisar o cenário da disputa eleitoral — com foco no voto feminino e no comportamento do eleitorado religioso —, a comentarista mencionou a existência de “um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos” que estaria “mobilizando um projeto de lei para tirar a Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira”. O trecho acabou viralizando e gerando forte repercussão entre eleitores e figuras políticas.

Em seguida, como esclarecimento aos telespectadores, o canal explicou que a matéria legislativa que circulou nos boatos corresponde na realidade ao Projeto de Lei 2.623/2007, de autoria do então deputado federal Professor Victório Galli, que propunha alterar a legislação do feriado nacional de 12 de outubro para delimitar o título a “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O texto foi arquivado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em agosto de 2008, sem qualquer relação funcional ou autoria ligada ao senador.

A polêmica se intensificou em meio a debates públicos sobre discursos de cunho confessional na corrida eleitoral, cenário no qual o parlamentar havia afirmado semanas antes a intenção de declarar institucionalmente a nação a Jesus Cristo caso eleito.

A discussão sobre símbolos religiosos também mobilizou o resgate de episódios pretéritos de intolerância envolvendo críticas de líderes protestantes a imagens sacras no país, como o caso do pastor Sérgio Von Hélder ocorrido em 1995, quando foi filmado chutando a imagem da santa. Em 1997, ele foi afastado dos programas de TV e processado criminalmente. Acabou condenado a dois anos de prisão por discriminação religiosa e vilipêndio a objeto de culto. Hoje, ele vive fora do Brasil.

Pastor Sérgio Von Hélder, em 1995, foi filmado chutando a imagem da Nossa Senhora

Batalha espiritual

A polêmica envolvendo a padroeira do Brasil ganhou tração após resgate de um vídeo publicado no dia 24 de agosto por Flávio Bolsonaro, na qual afirmou que, caso seja eleito, um dos seus primeiros atos será “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”, em manifestação em resposta a críticas por sua ausência em debate televisivo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A declaração gerou leituras de bastidores eleitorais como uma sinalização doutrinária a grupos evangélicos, cuja teologia enfatiza a mediação exclusiva de Cristo e rejeita a intercessão atribuída pelos católicos à Virgem Maria. O posicionamento, no entanto, gerou discussões sobre o alcance do discurso em relação aos preceitos do Estado laico e ao público não cristão do país, que soma 13,1% da população — cerca de 27 milhões de cidadãos —, além dos efeitos sobre o eleitorado católico tradicional.

A mobilização religiosa tem contado ainda com posicionamentos pontuais no interior da própria Igreja. Ao longo da atual disputa eleitoral, manifestações como as do arcebispo emérito de Aparecida, dom Orlando Brandes, defenderam a soberania nacional — ponto enfatizado pelo programa governista —, enquanto outras lideranças eclesiásticas do país, especialmente na região Norte, vêm alertando fiéis sobre a defesa da democracia, preservação da natureza e o uso político-partidário de altares religiosos.

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