Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência da República | Foto: Reprodução
PF apura R$ 60 milhões ligados ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro; senador nega irregularidades e afirma que os recursos tiveram origem privada
Publicado 11 de setembro de 2026 às 11:48
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) é investigado em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a Polícia Federal (PF), a investigação busca esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro destinado à produção e possíveis irregularidades em transferências para os Estados Unidos. O pedido da PF recebeu autorização do ministro André Mendonça, após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A PF também investiga a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, nas tratativas para o financiamento do filme. Mensagens analisadas pelos investigadores indicariam cobranças de pagamentos e acompanhamento das gravações.
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Segundo os investigadores, Flávio teria procurado Vorcaro em busca de cerca de R$ 134 milhões para financiar a produção. Planilhas analisadas pela PF indicariam que aproximadamente R$ 61 milhões foram repassados.
Saiba quais os possíveis crimes do senador e candidato à Presidência, que tem crescido nas pesquisas nas últimas semanas:
a) lavagem de dinheiro, prevista no art. 1º da Lei nº 9.613/1998, diante dos indícios de utilização de estrutura empresarial e fundo estrangeiro para ocultar ou dissimular a origem, movimentação, propriedade, disponibilidade ou destinação de valores relacionados ao financiamento da produção:
A PF suspeita que empresas e um fundo nos Estados Unidos possam ter sido usados para ocultar ou dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos destinados ao filme. Para a PF, é preciso esclarecer a origem do dinheiro, a razão do uso da empresa nas transferências e o destino final dos recursos.
O documento cita transferências feitas pela Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund LP. Em 2025, as remessas identificadas somaram US$ 12,3 milhões. O valor é citado pela PF em uma investigação que também analisa um contrato de US$ 24 milhões para a produção do filme.
b) evasão de divisas, prevista no art. 22 da Lei nº 7.492/1986, caso se confirme a realização de remessas internacionais mediante declaração falsa, interposição de pessoas, ausência de adequada identificação do beneficiário final ou finalidade econômica diversa da declarada:
É relacionada às transferências de recursos para o exterior. Segundo a PF, será necessário verificar se as remessas foram feitas com informações falsas, por meio de terceiros ou sem a identificação correta do destinatário. A corporação também quer saber se a finalidade declarada nas operações correspondia ao uso efetivo dos recursos.
c) corrupção passiva e ativa, previstas nos arts. 317 e 333 do Código Penal, caso se demonstre que os aportes financeiros foram solicitados, oferecidos, prometidos ou recebidos em razão da função pública exercida por agente político ou como forma de vantagem indevida direta ou indireta:
A investigação busca esclarecer se algum aporte foi oferecido, solicitado ou recebido como vantagem indevida relacionada à função pública de um agente político. A suspeita está relacionada à relação entre Flávio e Vorcaro. Segundo o documento, o candidato cobrou o empresário em diferentes ocasiões sobre os pagamentos do filme.
Em setembro de 2025, Flávio demonstrou preocupação com o atraso nos pagamentos e citou compromissos com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. No mês seguinte, afirmou que a produção estava “no limite” e pediu que Vorcaro avisasse caso não pudesse fazer o aporte, para que ele buscasse outra alternativa.
A PF ainda precisa esclarecer se essas tratativas tiveram alguma relação com eventual vantagem indevida.
d) organização criminosa, prevista na Lei nº 12.850/2013, caso se confirme a atuação estável e estruturada de múltiplos agentes para operacionalização do fluxo financeiro, ocultação de beneficiários e dissimulação da real destinação dos valores:
A PF vai apurar se houve atuação organizada e permanente de várias pessoas para movimentar os recursos, ocultar os beneficiários e dificultar a identificação do destino do dinheiro. Além de Flávio, a representação cita outras pessoas cuja eventual participação nas operações também será investigada.
Entre elas estão:
e) outros delitos eventualmente identificados no curso da investigação, inclusive crimes contra o sistema financeiro nacional, falsidades documentais, crimes tributários ou infrações conexas.”
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