Luiz Fux e Nunes Marques votaram pela manutenção do afastamento de Andrei Rodrigues | Foto: STF
Luiz Fux e Nunes Marques votaram pela manutenção do afastamento de Andrei Rodrigues; filhos dos dois ministros são citados em reportagens sobre relações financeiras e sociais no entorno de Daniel Vorcaro
Publicado 9 de setembro de 2026 às 14:54
Filhos de dois dos três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que votaram para manter o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal aparecem em reportagens sobre relações financeiras e sociais envolvendo pessoas e empresas ligadas ao entorno do Banco Master e de Daniel Vorcaro, conforme o ICL Notícias.
Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o relator André Mendonça nesta terça-feira (8), formando maioria na Segunda Turma do STF para manter o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.
O afastamento envolve integrantes da cúpula da PF que participaram das investigações relacionadas ao Banco Master e que resultaram na prisão de Vorcaro. A Advocacia-Geral da União (AGU) questionou o afastamento e argumentou que cabe ao presidente da República nomear e exonerar o diretor-geral da Polícia Federal.
Kevin de Carvalho Marques, filho de Nunes Marques, recebeu R$ 281,6 mil por meio de seu escritório, em 11 transferências feitas entre 2024 e 2025 pela Consult Inteligência Tributária, segundo reportagem da Folha de S.Paulo baseada em informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
No mesmo período, a Consult recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master, em 14 operações. A empresa também recebeu R$ 11,3 milhões da JBS. Segundo os dados divulgados pelo jornal, Banco Master e JBS responderam por toda a receita registrada pela consultoria no período.
O Coaf apontou incompatibilidade entre a movimentação financeira da Consult e a capacidade econômica informada pela empresa. O órgão também indicou a possibilidade de a companhia ter funcionado como uma espécie de conta de passagem.
Os documentos divulgados, porém, não demonstram que os R$ 281,6 mil pagos ao escritório de Kevin tenham origem nos recursos recebidos pela Consult do Banco Master. As informações tornadas públicas mostram apenas que a consultoria recebeu recursos do banco e, no mesmo período, fez pagamentos ao escritório do filho do ministro.
A relação entre Kevin e a família responsável pela Consult também envolveu uma sociedade empresarial. Em outubro de 2024, Kevin se tornou sócio de Gabriel Campelo de Carvalho no Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária (IPGT). Gabriel é filho de Francisco Craveiro, responsável pela Consult.
Segundo a revista Piauí, as famílias Craveiro e Nunes Marques mantêm uma relação pessoal próxima. A informação foi confirmada pelo gabinete do ministro. A publicação também informou que o IPGT e a Consult chegaram a utilizar o mesmo endereço fiscal em Alphaville.
Gabriel deixou formalmente a Consult em julho de 2024. No mês seguinte, a empresa passou a receber pagamentos do Banco Master e da JBS. Em outubro, Gabriel constituiu a sociedade com Kevin.
Kevin afirmou ter recebido R$ 234,8 mil líquidos por serviços de assessoria jurídica. Ele também afirmou que o compartilhamento do endereço foi temporário e negou qualquer relação entre o IPGT e a Consult. As informações públicas citadas não indicam participação de Nunes Marques nessas operações financeiras.
Rodrigo Fux, advogado e filho de Luiz Fux, é citado em reportagens sobre pelo menos dois eventos dos quais Vorcaro também participou antes de ser preso. Um deles ocorreu durante o Desfile das Campeãs do Carnaval de 2025, no camarote Alma Rio, na Sapucaí. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Rodrigo esteve na área VIP do camarote.
Mensagens encontradas no celular de Vorcaro mostram o banqueiro tratando da organização dos convidados e determinando que “Fux” fosse acomodado na área VIP. Vorcaro era parceiro de Álvaro Garnero no camarote e ajudava a financiá-lo.
Rodrigo confirmou ter estado no camarote, mas afirmou que não mantinha amizade com Vorcaro. Segundo Rodrigo, houve uma tentativa de aproximação comercial feita pelo banqueiro, mas o negócio não avançou.
O advogado também afirmou que nunca manteve relação comercial com Vorcaro e nunca advogou para ele. Rodrigo esteve ainda em uma degustação exclusiva de uísque em Nova York, custeada por Vorcaro. O encontro reuniu cerca de 40 convidados.
De acordo com a reportagem, Luiz Fux também havia sido convidado, mas não compareceu. Ainda segundo a publicação, pessoas próximas à família afirmaram que Rodrigo permaneceu pouco tempo no evento e que seu escritório nunca prestou serviços ao banqueiro ou ao Banco Master.
Fux e Nunes Marques votaram nesta terça-feira (8) para manter a decisão de André Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da direção-geral da PF e Leandro Almada da Diretoria de Inteligência. Com os dois votos, Mendonça formou maioria de três ministros na Segunda Turma.
O afastamento ocorreu no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. Sob o comando de Andrei, a PF deflagrou uma operação que levou Vorcaro à prisão e investigou negócios e relações mantidos pelo banqueiro.
O ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo.
Até a publicação desta reportagem, não havia indicação de que as relações dos filhos de Fux e Nunes Marques com pessoas ou empresas ligadas ao entorno do Banco Master tenham sido consideradas pelos ministros na análise do afastamento.
Também não foram apresentadas evidências de que essas relações tenham influenciado os votos de Fux ou Nunes Marques.
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