Flávio Bolsonaro registrou candidatura à Presidência e declarou R$ 8,18 milhões em bens ao TSE | Foto: Reprodução
Senador e candidato à Presidência foi questionado sobre recursos negociados com Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse e afirmou que a prestação de contas já foi apresentada; investigação sobre a produção continua
Publicado 25 de agosto de 2026 às 12:38
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi novamente questionado sobre os recursos negociados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio afirmou que a prestação de contas já havia sido apresentada e, ao responder sobre o assunto, passou a cobrar explicações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Ao ser abordado por jornalistas, Flávio reclamou da insistência nas perguntas sobre o filme e afirmou que o país enfrenta problemas econômicos mais urgentes. Na sequência, ele direcionou a resposta para Lulinha e questionou a origem dos recursos e quem estaria pagando as despesas do filho do presidente Lula (PT).
“Cadê o Lulinha? Está onde? Na Espanha? Está morando naquele hotel luxuoso mesmo? Quem está pagando as contas dele? Cadê o dinheiro? Qual foi a origem?”, afirmou Flávio.
O senador também fez outras alegações sobre pessoas ligadas ao entorno do presidente Lula. As afirmações partiram de Flávio e não representam, por si só, comprovação das suspeitas mencionadas.
A polêmica começou após a divulgação, em maio, de áudios e mensagens que mostraram uma negociação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiar o filme.
As reportagens apontaram uma negociação de US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época. Documentos divulgados posteriormente indicaram que aproximadamente US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram destinados ao projeto.
Flávio confirmou que procurou Vorcaro para buscar financiamento privado para o filme sobre o pai e negou ter oferecido vantagens ao banqueiro em troca dos recursos.
A discussão sobre a prestação de contas voltou ao centro da campanha presidencial. Na segunda-feira, Flávio afirmou que as informações já haviam sido apresentadas no âmbito da investigação e disse que não caberia a ele prestar contas sobre o caso.
O valor negociado e o que teria sido efetivamente repassado
A cobrança sobre a prestação de contas também partiu de Ronaldo Caiado (PSD), candidato à Presidência. O ex-governador de Goiás questionou publicamente Flávio sobre a demora para apresentar esclarecimentos sobre os valores negociados com Vorcaro. A manifestação ocorreu nas redes sociais em 20 de agosto.
A cobrança levou o assunto também para dentro do campo político de direita.
Apesar de Flávio afirmar que a prestação de contas já foi apresentada, as investigações relacionadas ao filme continuam.
Na segunda-feira (24), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a acessar provas apreendidas pela Polícia Civil de São Paulo em uma investigação envolvendo a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme. O material inclui dados e documentos recolhidos durante as apurações.
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A investigação paulista envolve um contrato de R$ 108 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil. A PF também apura possíveis irregularidades relacionadas à destinação de recursos ao projeto.
O acesso às provas não significa que os envolvidos tenham sido considerados culpados. As suspeitas continuam sob investigação.
O Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro, está relacionado a diferentes apurações envolvendo sua produtora e o financiamento do projeto.
A Polícia Federal passou a ter acesso às provas recolhidas pela Polícia Civil de São Paulo na investigação sobre a Go Up Entertainment. O caso envolve suspeitas sobre a utilização de recursos públicos e a destinação de emendas parlamentares.
O filme também recebeu, em agosto, registro de obra estrangeira na Ancine, uma das etapas necessárias para eventual lançamento no Brasil. Ainda não há data definida para a estreia.
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