A gordura no fígado costuma ser descoberta em exames de rotina e pode evoluir sem sintomas. | Foto: Reprodução

Cotidiano

SAÚDE ‘Quase todo mundo tem’ não significa que seja normal: gordura no fígado exige atenção, alerta médica

Especialista explica como identificar a doença, quem corre mais risco e o que realmente ajuda a impedir a evolução para casos graves

por: NOVO Notícias

Publicado 5 de agosto de 2026 às 20:15

Ter gordura no fígado é uma condição cada vez mais comum, mas isso não significa que seja normal. Segundo a hepatologista Nilma Lucia Sampaio Ruffeil, a doença pode evoluir durante anos sem provocar sintomas e, quando não recebe o tratamento adequado, aumentar o risco de complicações graves, como cirrose, câncer de fígado e até necessidade de transplante.

Conhecida atualmente como doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) — antigo nome da doença hepática gordurosa não alcoólica —, a condição é considerada a doença crônica do fígado mais frequente no mundo e atinge cerca de 30% da população mundial.

Na maioria dos casos, o problema é descoberto por acaso. Exames de rotina podem mostrar gordura no fígado na ultrassonografia ou alterações nas enzimas hepáticas no exame de sangue. Como geralmente não há sintomas, muitas pessoas acabam ignorando o diagnóstico.

Segundo a médica, um dos maiores erros é acreditar que a gordura no fígado não merece atenção por ser frequente. “É comum, mas não é normal”, alerta. A gordura se acumula dentro das células do fígado, podendo provocar inflamação e, com o passar do tempo, levar à formação de cicatrizes no órgão, processo conhecido como fibrose hepática.

A doença está fortemente ligada a problemas metabólicos. Entre os pacientes com MASLD, cerca de 70% apresentam obesidade, 75% têm diabetes tipo 2 e uma parcela significativa também convive com colesterol ou triglicerídeos elevados. Por isso, o diagnóstico exige avaliação para identificar em qual estágio a doença se encontra e definir o tratamento mais adequado.

Hoje, exames como a elastografia hepática permitem medir o grau de fibrose sem necessidade de cirurgia, tornando a biópsia cada vez menos frequente.

A boa notícia é que, nas fases iniciais, a doença pode ser controlada e até revertida. Estudos mostram que perder entre 5% e 10% do peso corporal já pode reduzir a gordura acumulada no fígado e melhorar a inflamação.

Mudanças de hábitos é o passo inicial

O tratamento começa pela mudança dos hábitos. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, redução do consumo de alimentos ultraprocessados, refrigerantes, bebidas açucaradas e álcool estão entre as principais recomendações. Também é importante aumentar o consumo de frutas, verduras, legumes, alimentos integrais e proteínas, além de manter boa hidratação.

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Em alguns casos, o médico pode indicar medicamentos específicos, como vitamina E e pioglitazona. Pesquisas mais recentes também apontam resultados promissores com medicamentos como semaglutida e tirzepatida, especialmente quando associados à perda de peso.

A orientação da especialista é que pessoas com obesidade, diabetes, colesterol elevado ou diagnóstico de gordura no fígado procurem acompanhamento médico. Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as chances de evitar complicações.

Quem tem mais risco de desenvolver gordura no fígado?

  • Pessoas com obesidade;
  • Quem tem diabetes tipo 2;
  • Pessoas com colesterol ou triglicerídeos elevados;
  • Sedentarismo;
  • Alimentação rica em ultraprocessados e bebidas açucaradas.

Sinais de alerta

Embora a doença normalmente não provoque sintomas, ela costuma ser descoberta em:

  • Ultrassonografia abdominal;
  • Exames de sangue com alterações das enzimas do fígado;
  • Avaliações médicas de rotina.

O que ajuda a proteger o fígado?

  • Perder entre 5% e 10% do peso corporal;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Reduzir alimentos ultraprocessados;
  • Evitar refrigerantes e bebidas açucaradas;
  • Limitar ou evitar o consumo de álcool;
  • Manter acompanhamento médico quando houver fatores de risco.
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