Diretor de Vendas da Sankhya, Tiago Teixeira - Foto: NOVO
Em entrevista ao NOVO, o diretor de Vendas da Sankhya, Tiago Teixeira, explica como a Inteligência Artificial transforma dados em decisões estratégicas e aponta os principais desafios da gestão empresarial na era digital
Publicado 3 de agosto de 2026 às 16:49
A aplicação da Inteligência Artificial na gestão das empresas foi o principal tema do Seminário LIDE Gestão, promovido pelo LIDE Rio Grande do Norte em parceria com a Sankhya, no dia 22 de julho, em Natal. Na ocasião, o diretor de Vendas da Sankhya, Tiago Teixeira, apresentou a palestra “O Futuro da Tomada de Decisão nas Empresas Brasileiras”, na qual mostrou como a IA pode ajudar gestores a interpretar dados e definir estratégias.
Em entrevista ao NOVO, o executivo comentou os desafios enfrentados pelas empresas no processo de digitalização, explicou a importância de organizar dados e apontou quais são os primeiros passos para quem pretende começar a utilizar a Inteligência Artificial. Segundo ele, a tecnologia não substitui a experiência dos gestores, mas funciona como um “copiloto”, ajudando líderes a tomar decisões com mais segurança.
NOVO: A Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa e está presente em todas as empresas. Como você enxerga essa diferença na tomada de decisão das empresas baseada na IA?
Tiago Teixeira: Hoje, usar IA não é mais luxo ou vantagem competitiva, é necessário. Quando falamos em tomada de decisão, gosto de usar o termo “copiloto”. A tecnologia não substitui o conhecimento do negócio, a visão empreendedora e a liderança dos empresários, mas ajuda a potencializar essas capacidades. A IA permite transformar dados e informações em conteúdos mais ricos para apoiar decisões. Em plataformas de gestão inteligente, como a Sankhya, ela funciona como uma ferramenta para ampliar o conhecimento das empresas e ajudar no crescimento e na competitividade.
A diferença, cada vez mais, está nos detalhes. A IA chega para ajudar a resolver esses detalhes e permitir decisões mais precisas. Mas é importante contar com parceiros que saibam utilizar a tecnologia e apoiar os empresários nesse processo.
NOVO: Em sua palestra, você comentou muito sobre gestão inteligente. Hoje em dia, qual é o maior gargalo das empresas para conseguir fazer essa gestão da forma como vocês implementam?
Tiago Teixeira: As empresas enfrentam dores comuns, independentemente do segmento. Uma delas é a complexidade tributária e fiscal, principalmente para negócios que atuam em diferentes estados, cada um com suas próprias regras. Também existem desafios relacionados à área financeira, compras, vendas e gerenciamento de estoque. A grande questão é entender como a empresa faz sua gestão e quais dados estão circulando dentro desse processo. Muitas organizações ainda trabalham com informações espalhadas, processos manuais ou ferramentas que não conseguem mais acompanhar a necessidade do negócio. O desafio é ter dados integrados, seguros e fáceis de acessar. Hoje falamos de uma plataforma “embedada”, que vai além da integração. É uma solução que funciona de forma mais fluida e intuitiva, sem exigir que o empresário precise fazer uma especialização para utilizar uma ferramenta essencial para o crescimento da empresa. A IA ajuda justamente nessa facilidade, permitindo criar análises e dashboards de forma mais simples. Um empresário pode, por exemplo, querer comparar o crescimento das vendas com custos e margem de lucro. Com a IA, ele consegue estruturar essa informação e gerar um relatório com dados organizados.
NOVO: Vocês atuam em diversos segmentos e diferentes mercados. Para quem está começando e quer implementar a IA na empresa, qual seria o primeiro passo?
Tiago Teixeira: O primeiro passo é entender os conceitos básicos da gestão da própria empresa. A IA não vai resolver problemas que o empresário ainda não compreende. É preciso saber como funciona o fluxo de caixa, os processos internos e quais são as principais dores do negócio. A partir disso, é possível identificar onde a tecnologia pode ajudar. A recomendação é trabalhar a gestão e começar a conhecer a IA ao mesmo tempo. Muitas pessoas iniciam usando a ferramenta como uma busca, mas o grande diferencial está em fazer boas perguntas. Não são apenas as respostas que movem o mundo, são as perguntas. Quanto melhor estruturado for o comando dado à IA, chamado de prompt, melhores serão os resultados obtidos.
NOVO: São 28 anos de mercado desenvolvendo empresas e alavancando negócios. O que você percebeu de mudança na gestão empresarial nas gerações dos anos 2000, 2010 e agora em 2020?
Tiago Teixeira: Tivemos três grandes momentos. Nos anos 1990 e 2000, o diferencial estava muito ligado ao hardware, ao poder de processamento das máquinas e servidores. Depois veio a digitalização, quando documentos, processos e informações passaram para o ambiente digital. Agora vivemos uma fase em que o foco está no uso inteligente da informação. Hoje, a empresa não precisa necessariamente ter todo o processamento dentro de casa. Falamos de nuvem, de cloud, e isso possibilitou o avanço da IA. A informação passou a ser um dos ativos mais importantes das organizações. O conceito mais forte atualmente é o de plataforma. Antes, as empresas tinham várias soluções diferentes, muitas vezes sem integração. Agora, a busca é por plataformas que unam dados, segurança e inteligência para apoiar decisões.
NOVO: Muitas empresas ficam perdidas diante do excesso de plataformas, sistemas e canais. Hoje vale mais a pena ter várias soluções ou saber utilizar bem uma plataforma integrada?
Tiago Teixeira: O caminho é buscar um parceiro de tecnologia que ofereça uma plataforma fluida, segura e capaz de transformar dados em informações para decisões. Muitas empresas acabam gastando energia tentando conectar diferentes sistemas. Possuem uma solução para folha de pagamento, outra para inteligência tributária, outra para relacionamento com clientes, mas acabam criando “puxadinhas” para fazer tudo funcionar. Com isso, profissionais talentosos deixam de trabalhar no desenvolvimento do negócio para resolver problemas de integração e apagar incêndios. Essa é uma reflexão importante para o empresário: você está colocando a maior parte do seu tempo no seu negócio, no seu verdadeiro core, naquilo que você nasceu para fazer? Ou está tentando resolver problemas que poderiam ser solucionados com os parceiros certos?
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