Jornalista potiguar Victor Ferreira lança livro infantil “O Reino do Tudo Igual”

Últimas

Literatura Jornalista potiguar Victor Ferreira lança livro infantil “O Reino do Tudo Igual”

Obra infantojuvenil propõe uma reflexão sobre a diversidade e a riqueza da pluralidade de opiniões, sobretudo em tempos de intolerância

por: NOVO Notícias

Publicado 27 de julho de 2026 às 14:30

“Quem haverá de curar essa onda de melancolia?”, é a pergunta que conduz a história assinada pelo jornalista potiguar Victor Ferreira. O livro “O Reino do Tudo Igual” recebeu um grande lançamento, neste final de semana, na Livraria da Vila, em São Paulo. A obra propõe uma reflexão sobre a diversidade e a riqueza da pluralidade de opiniões, sobretudo em tempos de intolerância. O NOVO Notícias conversou com o autor.

A história se desenrola em um reino distante, com padrões rígidos e regras bem definidas, onde tudo era milimetricamente previsível, planejado, esperado e com certezas. Quem, por acaso, sentisse no coração uma vontade de fazer diferente, ouvia logo o chamado de alguém experiente: “Não ouse mudar as leis! São as ordens do nosso rei, deixadas por seus ascendentes!”. Mas, como o destino prega peças, o reino tão vigiado caiu em maldição. Não se falava em outra coisa, só na tristeza da nação. O rei, preocupado com o seu povo, mas resistente às quebras de paradigmas, então resolve buscar uma saída.

“Brincamos com as rimas para dar ritmo à história. É uma forma de usar a ludicidade para discutir assuntos sérios. O livro é um convite ao exercício de enxergar o outro com empatia e perceber que diferenças somam. Tenho as metáforas como aliadas para alcançar até mesmo as crianças que já têm boletos a pagar”, brinca Victor Ferreira.

Victor nasceu em Natal, em 1992. A sensibilidade de sua mãe ao perceber, desde cedo, um filho fascinado pela comunicação, fez a diferença na construção de quem se tornou. Cresceu entre livros, abraços e peças de teatro. Formou-se em Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e exerceu os primeiros anos de profissão como repórter em emissoras de televisão da capital potiguar, como a TV Ponta Negra. Em 2018, mudou-se para São Paulo.

Desde então, atua no SBT. Entusiasta do público infantil, também é ator e roteirista de espetáculos teatrais voltados para pais e filhos, como o Mamãe Retrô. “Gosto de produzir obras em que podemos nos comunicar com gente de todas as idades. A construção de significados depende da bagagem que cada um traz consigo”, explica.

O livro tem como inspiração a relação do autor com a sua irmã, Letícia, de 15 anos, pessoa com deficiência. “Há alguém muito especial em um reino chamado Natal que, desde pequenina, caminhou contra a monotonia de ser igual. Lelê, minha amada irmã, a quem eu carinhosamente chamo de Bêu, fez da síndrome que possui, ponto de partida. Colore o mundo com as suas ideias e pensamentos, provando que somos exatamente do jeito que haveríamos de ser. Aliás, ‘saber ser’ é um dom que as crianças dominam. Essa história se inspirou em Lelê, na nossa mãe, Jéssica, genuína entusiasta da inclusão e do respeito às diferenças, e em toda a gente que acredita na riqueza da representatividade. Tenho sorte de ter crescido entre pais, familiares e amigos que também acreditam nisso, mas reconheço que não é um privilégio de todos. Preciso também destacar o papel da escola em que tive os meus talentos otimizados, o NEC Pinguinho de Gente. Outro dia ouvi que ‘a infância é um chão em que se pisa pelo resto da vida’. Essa é a mais pura verdade”, acrescenta.

Outro diferencial da obra está no trabalho do renomado ilustrador carioca Fernando Zenshô, que produziu as aquarelas que colorem a história. “O trabalho do Fernando Zenshô foi de uma sensibilidade incrível. Uma boa parte do livro é feita de cores mórbidas e monocromáticas, até o povo do Reino encontrar a saída para a monotonia. É quando o leitor passa a se deparar com cores e mais cores nas páginas. Zenshô também trouxe uma percepção interessante sobre os bichos que guardamos consigo e sobre o valor de colocá-los para fora. As ilustrações são peça-chave nesta aventura”, acrescentou Victor.

Questionado sobre o hábito da leitura em dias atuais, Victor respondeu: “A neurociência já confirma que o consumo rápido de conteúdos curtos na internet está atrofiando nossa capacidade de leitura profunda e retenção de informações. As telas acostumaram o nosso cérebro a interações rápidas, o que prejudica a concentração em textos longos. Mas nem tudo está perdido. Também percebo um movimento interessante de resgate do que nos faz bem. O prazer de abrir um livro, manusear e observar as páginas, de ter a história contada pelos nosso pais, avós, professores, ou alguém que amamos, é algo seguramente insubstituível. Nenhuma I.A. é capaz de dar conta. Tenho a discreta sensação de que as pessoas já começaram a perceber isso. Ler para as crianças que já nasceram imersas em tecnologia pode definir o curso do que virá pelos próximos anos”, diz Victor.

“O Reino do Tudo Igual” foi publicada pela PeraBook, do Grupo Elo Editorial, de São Paulo, e também conta com recursos de acessibilidade, como audiodescrição, tradução em Libras e imersão em realidade virtual. A editora aposta em obras que tratam da construção de valores.

Em setembro, “O Reino Tudo Igual” contará com uma sessão de lançamento em Natal. “Natal é o meu reino. O reino de onde vim, que carrego comigo e que guardo no coração. É um lugar que também me inspira a criar, sobretudo porque onde há afeto, há criatividade”, conclui.

>> Receba notícias do NOVO em tempo real pelo WhatsApp

Tags