Economia

Economia Negociação de dívidas: mulheres estão mais interessadas em sair da inadimplência, enquanto homens querem sair do endividamento, revela estudo do Pagou Fácil

Levantamento analisa o comportamento digital de homens e mulheres e aponta crescimento de até 83% nas buscas por soluções financeiras no Google Brasil

por: NOVO Notícias

Publicado 24 de julho de 2026 às 13:22

O aumento do custo de vida e as oscilações da economia continuam pressionando o orçamento das famílias brasileiras. Segundo dados do Banco Central (BC), o endividamento das famílias atingiu 49,9%, enquanto o comprometimento da renda com o pagamento de débitos alcançou o maior nível desde 2005.

Como consequência, a busca por temas relacionados à negociação de dívidas ganhou força e reflete um cenário de maior preocupação com as finanças pessoais. Mais do que procurar formas de como limpar o nome ou renegociar contas atrasadas, homens e mulheres demonstram preocupações diferentes em relação à própria situação financeira.

Afinal, compreender esse comportamento ajuda a identificar como as dificuldades econômicas afetam cada público e pode contribuir para a criação de políticas de crédito e educação financeira mais eficientes.

Mulheres buscam mais informações sobre inadimplência, enquanto homens pesquisam sobre endividamento

Um estudo realizado pelo Pagou Fácil, plataforma de negociação de dívidas desenvolvida pela Paschoalotto, com base no interesse dos brasileiros por páginas no Google, Google Notícias e Google Shopping para os termos “inadimplente” e “endividado”, durante julho de 2025 e maio de 2026, revelou as taxas de interesse dos públicos masculino e feminino para cada um dos temas.

O mesmo estudo analisou as buscas online por “inadimplência” e “endividamento” durante o mesmo período para calcular o aumento de buscas para cada um dos termos. O estudo leva em consideração apenas dados do Google Brasil, não refletindo, portanto, intenções de compra ou comportamentos adjacentes.

Conforme a pesquisa, enquanto as mulheres lideram proporcionalmente o interesse pelo termo “inadimplente”, os homens demonstram maior procura por “endividado”, em um cenário em que as buscas gerais por “endividamento” saltaram 83% e por “inadimplência” cresceram 22% no último ano.

Uma possível explicação é que muitas mulheres atuam diretamente na administração do orçamento doméstico, por isso buscam soluções quando as contas já estão em atraso.

Em contrapartida, os homens tendem a pesquisar mais sobre o conceito geral de endividamento, indicando uma preocupação mais ampla com o volume das obrigações financeiras antes que elas se transformem em inadimplência.

Os dados ajudam a demonstrar isso. Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), o país já soma mais de 41 milhões de domicílios chefiados por mulheres. Hoje, elas são as principais responsáveis financeiras em 52 de cada 100 lares, o que as coloca na linha de frente da administração das despesas e da busca por opções para manter as contas em dia.

Ao mesmo tempo, essa responsabilidade convive com uma desigualdade de renda significativa. Uma pesquisa do Datafolha mostra que 75% das mulheres ocupadas recebem até dois salários mínimos, contra 64% dos homens.

Como resultado, elas também aparecem com maior frequência entre os consumidores negativados. Cerca de 36% das mulheres estão com o nome restrito, frente a 30% dos homens.

Qual é a diferença entre endividamento e inadimplência na hora de buscar a negociação de dívidas?

Embora muitas pessoas utilizem os termos como sinônimos, existe uma diferença importante entre estar endividado e estar inadimplente.

Uma pessoa endividada possui compromissos financeiros assumidos, como empréstimos, financiamentos ou compras parceladas, mas continua pagando essas obrigações dentro do prazo.

Já a inadimplência representa uma etapa mais crítica: ela ocorre quando as dívidas deixam de ser pagas nos prazos acordados, o que pode levar a cobrança de juros, multas e inclusão do nome em cadastros de restrição ao crédito. Essa distinção faz diferença na hora de buscar a negociação de dívidas, pois as estratégias mudam conforme a situação.

Isso porque quem ainda mantém os pagamentos em dia pode reorganizar o orçamento para evitar atrasos. Já quem possui parcelas vencidas precisa negociar condições para renegociar contas atrasadas, reduzir juros e, quando necessário, limpar o nome.

Além dos impactos financeiros, o endividamento também afeta a saúde emocional. O excesso de contas pode provocar ansiedade, estresse, insônia e sensação constante de insegurança, dificultando ainda mais a reorganização das finanças pessoais.

Quais são os primeiros passos para sair do endividamento?

Sair do endividamento exige organização, planejamento e acompanhamento constante das finanças. Entre os principais passos, estão:

  • listar todas as receitas, despesas fixas e dívidas existentes para entender a situação financeira atual;
  • identificar quais débitos possuem juros mais elevados e priorizar o pagamento dessas contas;
  • eliminar gastos que não sejam essenciais, reduzindo despesas do dia a dia para liberar recursos;
  • evitar novas compras parceladas, empréstimos e uso excessivo do cartão de crédito enquanto reorganiza o orçamento;
  • procurar bancos, financeiras e empresas credoras para renegociar contas atrasadas em condições compatíveis com sua renda.

Além disso, manter um controle frequente dos gastos contribui para fortalecer a saúde financeira em longo prazo. Com organização, planejamento e acesso às ferramentas corretas de negociação, torna-se possível recuperar o equilíbrio financeiro, melhorar o score de crédito e reduzir as chances de voltar à inadimplência.

>> Receba notícias do NOVO em tempo real pelo WhatsApp

Tags