Política

Câmara de Natal PF abre inquérito para investigar suposta violência política de gênero contra Brisa Bracchi

Investigação foi instaurada após encaminhamento do Ministério Público Eleitoral e apura denúncias de ataques atribuídos ao vereador Matheus Faustino desde o início de 2025

por: NOVO Notícias

Publicado 10 de julho de 2026 às 10:02

A Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar uma suposta prática de violência política de gênero contra a vereadora Brisa Bracchi (PT), em um caso que tem como investigado o vereador Matheus Faustino. A abertura da investigação foi comunicada oficialmente ao mandato da parlamentar pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que encaminhou à PF uma notícia de fato relatando os episódios denunciados.

A informação foi repassada nesta quinta-feira (9) pela Promotoria Eleitoral da 2ª Zona Eleitoral de Natal. Segundo o comunicado enviado à vereadora, o encaminhamento da notícia de fato resultou na instauração do Inquérito Policial nº 2026.0068323, conduzido pela Delegacia de Repressão a Crimes Eleitorais da Polícia Federal no Rio Grande do Norte.

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A investigação tem origem em uma notícia de fato apresentada em fevereiro deste ano por Victor Eduardo Avelino. No documento, ele relata que Brisa Bracchi passou a ser alvo de ataques recorrentes após o início do mandato de Matheus Faustino.

De acordo com a denúncia, o vereador teria publicado mais de 50 vídeos em redes sociais, especialmente no Instagram, direcionados à parlamentar. Os conteúdos, segundo o relato, utilizariam a imagem de Brisa de forma reiterada, incluindo montagens feitas com ferramentas de inteligência artificial, em publicações consideradas personalizadas e com potencial de incentivar hostilidade pública.

O documento sustenta ainda que as postagens extrapolariam o debate político comum ao apresentar um padrão contínuo de exposição da vereadora, com impacto sobre sua imagem e o exercício do mandato.

Após receber a denúncia, a promotora eleitoral da 2ª Zona Eleitoral de Natal, Cátia Tatiana Hermínio, determinou, no fim de março, a realização de diligências para reunir mais informações sobre o caso. A medida seguiu a Orientação Conjunta PGE/2ª CCR nº 1/2025, que estabelece diretrizes para a apuração de casos de violência política de gênero.

Entre as orientações previstas estão a priorização desse tipo de investigação, a adoção das diligências necessárias, a oitiva da vítima e a comunicação das providências adotadas, como a instauração de inquérito policial ou eventual oferecimento de denúncia.

O que diz a legislação

O Código Eleitoral considera violência política de gênero a conduta de assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidata ou detentora de mandato eletivo, utilizando menosprezo ou discriminação em razão da condição de mulher, da cor, raça ou etnia, com o objetivo de impedir ou dificultar a campanha eleitoral ou o exercício do mandato.

A pena prevista para esse crime é de um ano e quatro meses de reclusão, além de multa.

Vereadora diz esperar responsabilização

Após ser comunicada da abertura do inquérito, Brisa Bracchi afirmou esperar que a investigação confirme as denúncias apresentadas e resulte na responsabilização dos envolvidos.

Segundo a parlamentar, ela denuncia há meses ser alvo de perseguição e violência política de gênero. Brisa também afirmou que a atuação da Polícia Federal representa um passo importante para o esclarecimento do caso e reforçou que continuará exercendo seu mandato e denunciando situações semelhantes.

Investigação está em fase inicial

A instauração do inquérito representa o início da investigação criminal e não significa reconhecimento de culpa. Caberá à Polícia Federal reunir provas, ouvir os envolvidos e encaminhar o resultado das apurações ao Ministério Público Eleitoral, que decidirá sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça Eleitoral.

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