Lula afirmou que pretende conversar diretamente com Donald Trump sobre as eleições brasileiras. | Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula (PT) afirmou, nesta sexta-feira (14), que pretende conversar diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para pedir que ele não interfira nas eleições brasileiras. A declaração foi dada em entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs. Lula disse que tenta falar diretamente com Trump.
Segundo ele, a conversa deve tratar da relação entre os dois países e de uma possível interferência americana no processo eleitoral brasileiro. “Não se meta nos negócios do Brasil, sobretudo na questão da eleição”, afirmou Lula.
A declaração ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Além da disputa política em torno das eleições de 2026, os dois países enfrentam um conflito comercial provocado pelas tarifas impostas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros.
O governo brasileiro acionou na quinta-feira (13) a Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao país responder a medidas comerciais consideradas prejudiciais ao Brasil. O procedimento ainda prevê negociações e consultas antes da adoção de eventuais contramedidas. As tarifas americanas sobre produtos brasileiros chegam a 37,5%, segundo informações divulgadas nesta sexta.
Lula também afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para as tarifas são, na avaliação dele, baseadas em “inverdades” contra o Brasil. O presidente disse ainda que mantém uma boa relação pessoal com Trump, mas criticou setores do governo americano que, segundo ele, estariam atuando contra o país.
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Na entrevista, Lula afirmou que quer ter uma conversa “tête-à-tête” com Trump para tratar diretamente das divergências entre os dois governos. O presidente disse que pretende deixar claro que o Brasil não aceita interferência externa nas eleições.
Ele também afirmou que o Brasil pretende responder às medidas americanas com instrumentos próprios e defendeu que o país seja respeitado nas relações comercial e diplomática.
A disputa ocorre a menos de dois meses do primeiro turno das eleições de 2026, aumentando o peso político das declarações de Lula sobre uma eventual participação do governo americano no processo eleitoral brasileiro.
Outro ponto de tensão entre os dois governos envolve a indicação de Daniel Perez para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Lula afirmou que o governo brasileiro só deverá analisar o pedido de autorização para a chegada do novo embaixador depois das eleições de 2026. A decisão ocorre em meio ao aumento das divergências diplomáticas entre Brasília e Washington.
O presidente também afirmou que pretende enfrentar os Estados Unidos no campo político e diplomático por meio da disputa de narrativas, defendendo que o Brasil apresente seus argumentos contra as acusações feitas pelo governo americano.
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