Fotos: Ricardo Stuckert e Agência Brasil
As restrições impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o cumprimento da prisão domiciliar voltaram a alimentar comparações com a prisão do presidente Lula (PT), em 2018. Apesar da semelhança no debate político, especialistas em Direito consultados pela Folha de S. Paulo afirmam que os dois casos têm diferenças importantes quanto ao tipo de condenação, ao momento do processo e às medidas determinadas pela Justiça.
Uma das principais diferenças está na situação jurídica de cada processo. Lula foi preso em 2018 após condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato. Anos depois, em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações.
Já Bolsonaro cumpre pena após condenação definitiva por tentativa de golpe de Estado, com trânsito em julgado, o que levou à suspensão de seus direitos políticos e ao cumprimento de medidas estabelecidas pela Justiça.
Segundo juristas, a natureza dos crimes também ajuda a explicar as restrições impostas a Bolsonaro. De acordo com as decisões judiciais, o uso das redes sociais teve relevância na prática dos fatos que resultaram na condenação. Por isso, além do uso de tornozeleira eletrônica, ele está submetido a limitações de comunicação e de visitas enquanto cumpre prisão domiciliar.
Os dois ex-presidentes, porém, conseguiram manter contato político com aliados durante os períodos em que estiveram privados de liberdade. Em 2018, Lula participou das articulações que resultaram na candidatura de Fernando Haddad (PT) à Presidência da República. Bolsonaro, por sua vez, recebeu visitas autorizadas e formalizou, por meio de uma carta, o apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à eleição presidencial de 2026.
Outra diferença destacada por especialistas é o local de cumprimento da pena. Lula permaneceu preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária, condicionada ao cumprimento das medidas impostas pela Justiça. Segundo as decisões judiciais, o eventual descumprimento dessas condições pode levar à revogação do benefício.
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As comparações entre os dois casos ganharam força nos últimos dias nas redes sociais. Juristas, no entanto, afirmam que as diferenças nas decisões decorrem das características específicas de cada processo e das medidas adotadas pelo Judiciário em cada situação.
Lula
Bolsonaro
Segundo especialistas em Direito, três fatores explicam as diferenças:
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