Donald Trump fez exigências ao Brasil durante negociação sobre o tarifaço | Foto: Ricardo Stuckert
Documento com 21 exigências foi entregue aos negociadores brasileiros em outubro de 2025 durante tratativas sobre tarifa de 50%; exigência eleitoral foi rejeitada pelo governo
Publicado 17 de setembro de 2026 às 14:11
O governo de Donald Trump incluiu entre as exigências para negociar a revisão do tarifaço de 50% contra produtos brasileiros um compromisso relacionado às eleições presidenciais de 2026: o Brasil deveria realizar um pleito “livre e justo” e não impedir, de forma arbitrária, a participação de “dissidentes políticos”. A proposta foi entregue aos negociadores brasileiros em 16 de outubro de 2025.
A minuta dizia ainda que o Brasil não deveria deter, prender ou restringir “arbitrariamente” a participação de “dissidentes políticos” no processo eleitoral. A expressão foi usada pelos próprios Estados Unidos no documento. O governo brasileiro considerou a proposta inaceitável e não aceitou negociar sob aqueles termos.
A exigência foi apresentada em um momento em que Trump fazia críticas públicas ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Por isso, integrantes do governo brasileiro ouvidos pela imprensa interpretaram o trecho sobre “dissidentes políticos” como uma referência à situação de Bolsonaro. O documento, porém, não cita Bolsonaro nominalmente.
A proposta, porém, ia muito além das eleições. Os 21 pontos incluíam exigências sobre comércio, plataformas digitais, sistemas de pagamento, minerais críticos e acesso de empresas americanas ao mercado brasileiro. O documento também previa uma exigência relacionada à compra de aeronaves da Boeing.
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Em 9 de janeiro de 2026, os Estados Unidos apresentaram uma segunda proposta, reduzida para 14 pontos. A nova versão retirou as exigências relacionadas à política interna brasileira, mas manteve pedidos envolvendo comércio, minerais críticos, setor digital e maior acesso de produtos americanos ao mercado brasileiro.
As duas propostas não resultaram em acordo. No caso da primeira versão, a exigência relacionada às eleições não avançou para uma negociação formal, segundo fontes do Itamaraty ouvidas pela imprensa.
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