Deputada Natália Bonavides - Foto: Divulgação
Representação aponta suposto padrão de interferência eleitoral, financiamento externo e moderação seletiva em redes sociais às vésperas do pleito
Publicado 3 de outubro de 2026 às 18:15
A deputada federal Natália Bonavides e o vereador de Natal Daniel Valença, ambos do PT, protocolaram uma notícia de fato junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a abertura de investigação criminal contra o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e a empresa de tecnologia Meta Platforms, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp. O documento acusa os representados de atuarem para facilitar suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras e promover ataques à soberania nacional.
A peça entregue à PGR reúne apontamentos sobre financiamento internacional, articulações políticas no exterior e decisões de moderação de conteúdo em plataformas digitais. Os parlamentares citam reportagem do jornal britânico The Guardian sobre o repasse governamental de US$ 1 milhão, atribuído à administração de Donald Trump, para o projeto “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, que financiaria grupos críticos ao Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação motivou manifestações anteriores da Advocacia-Geral da União (AGU) e da própria PGR sobre riscos de ingerência externa.
O documento também sustenta a existência de laços entre Flávio Bolsonaro e a Rockbridge Network, rede conservadora norte-americana fundada por J.D. Vance. Segundo a notícia de fato, consultorias prestadas à campanha por empresários ligados ao grupo estrangeiro configurariam, em tese, a captação vedada de recursos e serviços de origem externa pelo direito eleitoral brasileiro.
Outro ponto levantado pelos petistas questiona intervenções da Meta na reta final da disputa eleitoral. A representação menciona a remoção do perfil oficial da série “Revelando o Brasil”, apresentada pelo humorista Fábio Porchat — cujo episódio relacionava a campanha do PL ao Banco Master —, e a desativação temporária da ferramenta de veiculação de anúncios da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a dez dias do primeiro turno. A peça alega ainda a promoção paga de conteúdos por parte de influenciadores alinhados à direita norte-americana, como Matt Gaetz, divulgando suposta vantagem de Flávio Bolsonaro em plataformas de apostas.
Na petição, Natália Bonavides e Daniel Valença argumentam que a convergência cronológica desses fatores indica um padrão coordenado com potencial de desequilibrar a disputa eleitoral no país. Os parlamentares requereram à PGR a instauração formal de procedimento investigatório criminal, o depoimento do candidato, a requisição de documentos internacionais — incluindo relatórios enviados ao gabinete do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) — e o oferecimento de eventual denúncia ao término das apurações.
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