Dario Durigan questionou a proposta de Flávio Bolsonaro de suspender temporariamente o pagamento de dívidas. | Foto: Luis Nova/Metrópoles

ECONOMIA Ministro diz que plano de Flávio Bolsonaro pode provocar “calote geral” de R$ 3 trilhões

Durigan diz que suspensão de pagamentos por seis meses para pessoas físicas e um ano para empresas pode reduzir a oferta de crédito e dificultar novos empréstimos

por: NOVO Notícias

Publicado 23 de outubro de 2026 às 12:00

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, alertou que o plano de Flávio Bolsonaro (PL) para suspender pagamentos de dívidas pode provocar um “calote geral” no sistema de crédito brasileiro. Na avaliação dele, a proposta afetaria R$ 3 trilhões em pagamentos, com a suspensão por seis meses para pessoas físicas e por um ano para empresas.

Bancos, fundos e fintechs usam os valores recebidos dos clientes para financiar novas operações. Se os pagamentos forem suspensos, alertou Durigan, essas instituições poderão ter menos recursos para emprestar.

Na avaliação do ministro, a suspensão também poderia afetar financiamentos imobiliários e empréstimos ao agronegócio. Ele alertou ainda para o risco de instituições financeiras terem dificuldades para pagar investidores.

Ministro compara plano ao Desenrola

Durigan comparou a proposta ao Desenrola Brasil, programa do governo Lula (PT) para renegociar dívidas. Na avaliação do ministro, reduzir o valor das parcelas é diferente de suspender os pagamentos por meses, medida que, segundo ele, pode trazer riscos ao sistema financeiro.

Sobre o chamado “Vira Pix”, Durigan disse que ainda faltam informações sobre quem teria direito ao benefício e quanto a medida custaria.

Como exemplo, o ministro citou o cashback da reforma tributária, mecanismo que prevê a devolução de parte dos tributos a famílias que atendam aos critérios definidos em lei.

Disputa sobre as contas públicas

Durigan também defendeu as contas do governo Lula. Segundo ele, o Orçamento prevê superávit no próximo ano, considerando as medidas anunciadas pelo presidente. O ministro afirmou ainda que R$ 16 bilhões em despesas foram bloqueados neste ano.

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A estimativa de R$ 3 trilhões citada por Durigan corresponde ao volume de pagamentos que, segundo ele, seria afetado pela proposta. O valor não representa uma perda financeira já comprovada.