Lula | Foto: Ricardo Stuckert
Em pronunciamento oficial, presidente exigiu apuração rigorosa de mensagens vazadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro
Publicado 4 de setembro de 2026 às 00:22
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou publicamente, na noite desta quinta-feira (03), que o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) conduzam uma resolução para a investigação que envolve o Banco Master. Em pronunciamento oficial gravado em seu gabinete no Palácio do Planalto, o presidente defendeu a necessidade de reformas nos sistemas político e judiciário do país e afirmou que as suspeitas devem ser apuradas de forma integral, “sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”.
Esta foi a primeira manifestação pública do chefe do Executivo federal sobre o assunto desde a divulgação de um relatório da Polícia Federal que registrou a troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e um interlocutor identificado como o ministro do STF Alexandre de Moraes. Nos diálogos, ocorridos em novembro de 2025, o empresário questiona o magistrado se deveria deixar o país dois dias antes de ter sua prisão temporária decretada e cumprida pela Polícia Federal.
A revelação das mensagens provocou uma crise no Poder Judiciário, ocorrendo no período que antecede as eleições de outubro, momento em que o tribunal já vinha recebendo contestações públicas e promessas de pedidos de impeachment de alguns de seus integrantes por parte de candidatos. O inquérito do caso Master está sob a relatoria do ministro André Mendonça, responsável por solicitar à Polícia Federal o relatório de diálogos e por derrubar o sigilo do documento na terça-feira (1º).
Na mesma terça-feira, o presidente Lula conversou com o presidente do STF, ministro Edson Fachin, sobre as repercussões do caso. O presidente também foi procurado pelo decano da corte, ministro Gilmar Mendes, que cobrou do governo federal apoio político à cúpula da Polícia Federal, sob o argumento de que a conduta de Mendonça representava uma intervenção indevida nas atividades da corporação.
Após reuniões internas com aliados políticos e assessores de governo realizadas na quarta-feira (2), o presidente Lula definiu que as manifestações institucionais da gestão devem pautar-se pela premissa de que “ninguém está acima da lei”.
No pronunciamento em vídeo, o presidente criticou a ocorrência de vazamentos seletivos de dados e afirmou que o eleitorado espera que a liderança do STF e a PGR assegurem a integridade e a confiança das investigações para manter o respeito às instituições democráticas do país.
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