Potiguares participaram de fórum da ONU sobre mudanças climáticas e encontraram Nova York encoberta pela fumaça dos incêndios florestais no Canadá. | Foto: Arquivo pessoal

Cotidiano

SUSTENTABILIDADE Jovens potiguares vivenciam em Nova York efeitos da crise climática durante missão na ONU

Helena Rondon e Carolina Damásio participam, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), de debates sobre educação, mudanças climáticas, combate às desigualdades e desenvolvimento sustentável ao lado de representantes de diversos países

por: NOVO Notícias

Publicado 20 de julho de 2026 às 14:12

Depois de acompanhar debates sobre mudanças climáticas na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, as potiguares Helena Rondon e Carolina Damásio saíram às ruas e encontraram a cidade encoberta pela fumaça provocada pelos incêndios florestais que atingem o Canadá. A coincidência transformou em realidade um dos principais temas discutidos no High-level Political Forum (HLPF), principal fórum da ONU para acompanhar a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Convidadas pelo Major Group for Children and Youth (MGCY), mecanismo oficial de participação da juventude nas Nações Unidas, as duas participam de debates sobre educação, mudanças climáticas, combate às desigualdades e desenvolvimento sustentável ao lado de representantes de diversos países.

A experiência ganhou um significado ainda maior quando, após um dia de atividades na sede da ONU, elas encontraram um cenário que parecia reproduzir os temas discutidos dentro das plenárias. O céu de Nova York estava coberto por uma espessa camada de fumaça provocada pelos incêndios florestais que atingem o Canadá. Horas depois, na Times Square, um dos cartões-postais mais conhecidos do mundo, a névoa acinzentada reduzia a visibilidade e deixava o ar com cheiro de queimado.

A fumaça percorreu milhares de quilômetros até alcançar o nordeste dos Estados Unidos. O Canadá enfrenta uma das temporadas mais severas de incêndios florestais dos últimos anos, com centenas de focos ativos, muitos deles fora de controle. Em Nova York, autoridades emitiram alertas sobre a qualidade do ar e recomendaram que crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias evitassem atividades ao ar livre.

Helena Rondon e Carolina Damásio acompanharam debates na ONU e, ao deixar a sede da organização, encontraram Nova York sob os efeitos da fumaça dos incêndios no Canadá. | Foto: Arquivo pessoal

Segundo especialistas, as mudanças climáticas não provocam diretamente os incêndios, mas intensificam as condições que favorecem sua ocorrência e propagação. Ondas de calor mais intensas, períodos prolongados de seca e vegetação mais ressecada tornam os incêndios maiores, mais frequentes e mais difíceis de controlar, aumentando também a quantidade de fumaça lançada na atmosfera.

Para Helena Rondon, a coincidência entre as discussões realizadas na ONU e o cenário encontrado nas ruas de Nova York tornou a experiência ainda mais marcante.

“Foi muito chocante sair da ONU e ver Nova York coberta pela fumaça. A sensação ao respirar era diferente e a vista estava completamente encoberta. Também foi impactante encontrar avisos sobre a qualidade do ar recomendando que as pessoas permanecessem em casa. Depois de passar o dia discutindo os impactos das mudanças climáticas e, em seguida, vivenciar uma situação como essa, a gente percebe que essa realidade está muito mais próxima do que às vezes imaginamos.”

Além dos debates sobre clima, as jovens acompanharam a apresentação do mais recente relatório da Unesco sobre o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), dedicado à educação de qualidade. Os dados revelam que 273 milhões de crianças e adolescentes continuam fora da escola, situação que se repete pelo sétimo ano consecutivo.

O levantamento também mostra que apenas seis em cada dez jovens concluem o ensino médio e que somente seis em cada dez estudantes que ingressam na universidade conseguem concluir a graduação.

O relatório evidencia ainda que 58% dos estudantes alcançam o nível mínimo de aprendizagem em leitura, enquanto apenas 44% atingem esse desempenho em matemática. Embora a taxa global de alfabetização entre jovens tenha aumentado de 87% para 91% desde o ano 2000, os desafios permanecem.

Outro dado apresentado durante o fórum chamou a atenção das participantes: cerca de 50 países ainda não incluem conteúdos sobre biodiversidade e mudanças climáticas em seus currículos nacionais, apesar da crescente frequência de eventos climáticos extremos.

Para Carolina Damásio, acompanhar esses números durante o HLPF e, poucas horas depois, presenciar a fumaça dos incêndios cobrindo Nova York tornou evidente como os desafios globais estão interligados.

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“A gente ouviu especialistas apresentando dados muito preocupantes sobre educação, desigualdade e desenvolvimento sustentável. Depois saímos da ONU e vimos uma cidade inteira sendo afetada pela fumaça de incêndios que aconteceram em outro país. Foi impossível não perceber que tudo está conectado e que os desafios globais exigem soluções construídas em conjunto.”

Criado em 2013, o High-level Political Forum reúne anualmente chefes de Estado, ministros, pesquisadores, organismos internacionais, organizações da sociedade civil e representantes da juventude para avaliar os avanços da Agenda 2030 e discutir estratégias para acelerar o cumprimento dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

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