Greve dos bancários atinge 48 unidades da Caixa no RN; TST julga dissídio
Os empregados da Caixa Econômica Federal realizam um protesto nesta terça-feira (29), a partir das 14h, em frente à Agência Potiguar, localizada no bairro Cidade Alta, em Natal. A mobilização ocorre de forma articulada com manifestações em todo o país e coincide com a sessão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), marcada para as 14h30, que julgará o dissídio coletivo ajuizado pela instituição financeira após o encerramento sem acordo das rodadas de negociação com as entidades representativas.
No Rio Grande do Norte, o movimento paredista teve início em 8 de setembro — dois dias antes da deflagração nacional — e registra paralisação nas 48 dependências do banco no estado, englobando agências, gerências e setores administrativos.
O atendimento ao público opera com restrições presenciais desde segunda-feira (28), data em que as unidades passaram a cumprir liminar expedida pelo ministro Maurício Godinho Delgado, do TST, que determinou a manutenção de ao menos 60% do efetivo operacional em atividade sob pena de multa diária de R$ 100 mil ao sindicato. Serviços essenciais e movimentações em caixas eletrônicos e canais digitais seguem disponíveis.
O eixo central da divergência trabalhista concentra-se nas alterações do Saúde Caixa, o plano de assistência médica do funcionalismo. Conforme o Sindicato dos Bancários do RN (SEEB-RN), a instituição propôs elevar a contribuição mensal dos empregados de 3,5% para 3,7% do salário-base, além de reajustar o teto anual de coparticipação de R$ 3,6 mil para R$ 4,7 mil e instituir uma taxa de R$ 120 por atendimento em pronto-socorro. Pelos cálculos sindicais, as alterações representam uma elevação real entre 10% e 30% nos custos suportados pelos usuários, a depender da faixa de idade.
A proposta econômica apresentada pela Caixa também foi recusada pela categoria. O índice de recomposição salarial oferecido foi de 4,6% — composto pelo repasse integral da inflação de 4% acrescido de 0,6% de ganho real. Segundo a representação sindical, o percentual de aumento real não compensa as defasagens acumuladas e é anulado pelo incremento previsto nas despesas com a assistência à saúde. A direção da estatal ingressou com o processo judicial no TST após os empregados rejeitarem três contrapropostas consecutivas apresentadas durante as audiências de mediação.
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