Lula e Donald Trump - Foto: Ricardo Stuckert

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Conflito Governo Lula acusa EUA de interferência eleitoral após revogação de visto de embaixadora

Secretaria de Comunicação Social da Presidência classifica medida de Washington como hostil e nega obstrução a embaixador americano indicado por Donald Trump

por: NOVO Notícias

Publicado 5 de agosto de 2026 às 09:25

O governo brasileiro repudiou formalmente a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, por parte do governo dos Estados Unidos. Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) na noite desta terça-feira (4), o Planalto classificou a medida como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil” e apontou uma suposta intenção da gestão de Donald Trump de interferir no processo eleitoral de outubro.

A decisão de Washington de cassar o visto da diplomata brasileira ocorreu sob a alegação de que a administração de Luiz Inácio Lula da Silva estaria obstruindo deliberadamente a concessão do agrément (aceitação oficial) para o embaixador americano indicado para Brasília, Daniel Perez. O governo brasileiro contestou o argumento, afirmando que os EUA anunciaram o nome de Perez publicamente antes de formalizar o pedido de consulta ao Brasil, descumprindo a praxe diplomática. A assessoria da presidência afirmou que o nome do indicado ainda está em análise.

Impasse sobre vistos de funcionários do Departamento de Estado

A crise diplomática também envolve o veto brasileiro à entrada de funcionários do governo norte-americano no país. Recentemente, o Brasil negou vistos aos diplomatas Riley M. Barnes e Samuel Samson, do Departamento de Estado dos EUA. De acordo com a Secom, os dois funcionários planejavam uma visita oficial com o intuito de questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro e das urnas eletrônicas.

O Departamento de Estado dos EUA negou a acusação, declarando que a agenda de Barnes e Samson previa encontros com membros do governo, da sociedade civil e líderes religiosos para tratar de temas como integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão. Segundo fontes diplomáticas brasileiras, a comitiva havia solicitado uma visita ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante o período de recesso e foi orientada a reagendar, mas manteve a viagem, o que levantou suspeitas do governo federal sobre os objetivos da missão.

Histórico recente de atritos bilaterais

As relações entre Brasília e Washington têm acumulado desgastes nos últimos meses. O presidente Lula, em visita realizada a Washington em maio, solicitou a Donald Trump a suspensão de sanções individuais e a devolução de vistos de autoridades brasileiras, incluindo ministros de Estado e membros do Supremo Tribunal Federal (STF), cujas permissões de entrada nos EUA haviam sido revogadas sob a justificativa de perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os vistos, contudo, não foram restabelecidos.

Outros incidentes recentes incluem:

  • A recusa de visto ao consultor Darren Beattie, ex-assessor de Trump, que pretendia visitar Jair Bolsonaro no Brasil;
  • A expulsão do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo, adido da PF junto ao serviço de imigração americano (ICE);
  • A resposta do governo brasileiro, que expulsou um policial americano que atuava em Brasília.

O governo brasileiro criticou o método de indicação de diplomatas adotado por Donald Trump desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025, caracterizado pelo anúncio de nomes pelas redes sociais antes da consulta formal aos países de destino, prática recorrente na América Latina. O Planalto afirmou que se oporá à lógica de confrontação e manterá a preferência pelo diálogo e pela negociação diplomática..

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