Edson Fachin deu o prazo de cinco dias para que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues prestem esclarecimentos formais. Foto: Antonio Augusto/STF
A articulação começou em reunião com auxiliares no último domingo (6), antes da decisão de Mendonça desta terça-feira (8) que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues
Publicado 8 de setembro de 2026 às 17:20
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, avalia retirar do ministro André Mendonça e assumir a condução dos inquéritos dos casos Master e INSS. A medida em estudo visa conter o conflito público instalado entre integrantes da corte e reduzir o poder de atrito entre os grupos em disputa.
A articulação começou em reunião com auxiliares no último domingo (6), antes da decisão de Mendonça desta terça-feira (8) que determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O afastamento chegou a formar maioria na Segunda Turma, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
Como as possibilidades formais para avocar os processos completos são restritas, a equipe da presidência do STF analisa alternativas legais e regimentais. Um dos cenários em estudo é atrair para o gabinete de Fachin apenas os atos de Mendonça que envolvam Alexandre de Moraes, e não a totalidade das investigações.
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A iniciativa se somaria à decisão anterior de Fachin, que retirou do inquérito das fake news o pedido de abertura de investigação apresentado por Moraes contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.
Na última sexta-feira (4), Fachin defendeu publicamente o encerramento do inquérito das fake news — em andamento desde 2019 sob a relatoria de Moraes — e a criação de um código de ética para o STF. Durante agenda no Palácio do Planalto, o presidente da corte declarou que “não haverá precipitação, mas tampouco omissão” na condução do caso.
Fachin também conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sinalizou que pretende dar andamento às acusações mútuas entre os ministros, levando os casos para deliberação do plenário. Na quinta-feira (3), o presidente do tribunal já havia estipulado o prazo de cinco dias para que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues prestem esclarecimentos formais.
O atrito se intensificou após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF com trocas de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso em novembro de 2025. Na ocasião, Mendonça indicou que levaria ao plenário a possibilidade de investigar o colega.
Em resposta, Moraes determinou a abertura de apuração contra Mendonça utilizando um relatório interno da PF. O documento, contudo, é classificado como apócrifo, sem valor probatório e com dados de confiabilidade apontados como baixos ou moderados.
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