Flávio Bolsonaro afirma que não recebeu valores da Copenhagen e nega relação com o Banco Master. | Foto: Jefferson Rudy Agência Senado

Política

INVESTIGAÇÃO Empresa que recebeu notas do escritório de Flávio Bolsonaro recebeu R$ 11 milhões do Master um mês após ser aberta

Empresa recebeu R$ 11,2 milhões do Banco Master após ser aberta, segundo dados citados na apuração; Flávio Bolsonaro afirma que contratação não avançou e nega vínculo com o banco

por: NOVO Notícias

Publicado 23 de julho de 2026 às 18:27

A Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., empresa que recebeu notas fiscais emitidas e posteriormente canceladas pelo escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recebeu R$ 11,2 milhões do Banco Master um mês após sua abertura, segundo informações da Junta Comercial de São Paulo e dados da Receita Federal. As informações são da coluna Tácio Lorran, do Metrópoles.

A empresa foi constituída em 1º de novembro de 2024. De acordo com os dados levantados, os primeiros aportes do Banco Master na Copenhagen ocorreram em dezembro de 2024, no valor de R$ 11,2 milhões. Em 2025, a empresa teria recebido outros R$ 46,6 milhões do banco.

A Copenhagen aparece entre as empresas que mais receberam recursos do Master nos últimos anos, conforme dados da Receita Federal. A companhia também tem ligação societária com Rogério Lourenço Novo, que consta como diretor responsável pela Copenhagen e como único sócio da Contábil Correa, empresa que também teve relação contratual com o escritório de Flávio Bolsonaro.

Entenda o caminho do dinheiro. | Imagem: Reprodução/Metrópoles

Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, o escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu, em 7 de abril de 2025, duas notas fiscais no valor de R$ 500 mil cada para a Copenhagen, referentes a serviços jurídicos. Os documentos foram cancelados na mesma ocasião.

Dois dias depois, em 9 de abril, o escritório emitiu uma nova nota fiscal, também de R$ 500 mil, desta vez para a Contábil Correa, por serviços de assessoria jurídica.

Nesta quinta-feira (23), o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu que a Polícia Federal inclua as notas fiscais emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro nas investigações relacionadas ao Banco Master, Daniel Vorcaro e a Trustee DTVM, administradora do fundo Estônia, apontado como principal acionista da Copenhagen.

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Na solicitação, o parlamentar afirmou que a sequência de emissão e cancelamento das notas “levanta dúvidas” e defendeu que a origem e o destino dos recursos sejam apurados.

Cronologia do caso

Novembro de 2024

  • Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. é aberta.

Dezembro de 2024

  • Empresa recebe R$ 11,2 milhões do Banco Master, segundo dados citados na reportagem.

Abril de 2025

  • Escritório de Flávio Bolsonaro emite duas notas de R$ 500 mil para a Copenhagen.
  • Documentos são cancelados.

Abril de 2025

  • Escritório emite nova nota de R$ 500 mil para a Contábil Correa.

Julho de 2026

  • Lindbergh Farias pede que PF avalie inclusão das informações nas investigações.

Defesa de Flávio

O senador Flávio Bolsonaro afirmou que firmou contrato de prestação de serviços jurídicos com a BR Global, nome fantasia da Contábil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda., e que apenas foi consultado sobre a possibilidade de atender uma cliente da empresa, a Copenhagen Consultoria e Assessoria.

Segundo Flávio, a contratação com a Copenhagen não avançou e o escritório não recebeu nenhum valor da empresa, motivo pelo qual as notas fiscais emitidas foram canceladas. O senador afirmou ainda que não tinha conhecimento de qualquer relação entre a Copenhagen, a Contábil Correa e o Banco Master, e classificou como “sem fundamento” qualquer tentativa de associar seu nome ao banco.

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