As alegações constaram em três versões da proposta de delação de Vorcaro, mas todas foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Foto: Reprodução
De acordo com Vorcaro, os valores foram contrapartidas financeiras negociadas por meio de um “ajuste indevido” com Gilberto Kassab (PSD), então apoiador da campanha e atual secretário de Governo de São Paulo
Publicado 3 de setembro de 2026 às 17:06
Em proposta de delação premiada, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirma que as doações eleitorais de R$ 5 milhões feitas em 2022 para Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL) tiveram origem em negociações de propina.
Na ocasião, Tarcísio recebeu R$ 2 milhões e Bolsonaro, R$ 3 milhões, repassados formalmente por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na operação Compliance Zero.
De acordo com Vorcaro, os valores foram contrapartidas financeiras negociadas por meio de um “ajuste indevido” com Gilberto Kassab (PSD), então apoiador da campanha e atual secretário de Governo de São Paulo. O objetivo era manter a operação do cartão de crédito consignado Credcesta na gestão estadual paulista.
O Credcesta é operado pela PKL One Participações, empresa associada ao Banco Master e ligada a parentes de Augusto Lima, sócio de Vorcaro. O negócio havia sido autorizado no governo João Doria e iniciado sob Rodrigo Garcia, em 2022. Com a vitória iminente de Tarcísio naquele ano, Lima teria buscado Kassab para assegurar a continuidade do produto.
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Segundo Vorcaro, o acerto previa o repasse de 5% do resultado líquido da operação em São Paulo e doações eleitorais divididas em duas frentes:
Vorcaro declarou que Zettel não sabia da motivação ilícita e fez os repasses por alinhamento ideológico com os candidatos, utilizando recursos de sociedades com o banqueiro. O relator aponta que o negócio foi mantido no Estado até dezembro de 2024, quando o governador ampliou o mercado de consignados por decreto.
Proposta negada pela PF e PGR
As alegações constaram em três versões da proposta de delação de Vorcaro, mas todas foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), sob o argumento de ausência de ineditismo e falta de elementos de corroboração. Em recente audiência com o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), a PGR manteve a recusa por entender que não houve apresentação de fatos novos.
Outro lado
O governador Tarcísio de Freitas afirmou em nota que sua campanha observou estritamente a legislação eleitoral e teve as contas aprovadas pela Justiça. Disse ainda não ter qualquer vínculo com Vorcaro ou conhecimento do fato citado, ressaltando que o credenciamento do Credcesta ocorreu na gestão anterior e seguiu normas vigentes, sem envolver recursos públicos.
Gilberto Kassab rechaçou as acusações, classificando o relato como “absolutamente fantasioso” e sem sustentação factual. O secretário admitiu conhecer Augusto Lima e Thiago Botelho, mas negou ter tratado sobre o Credcesta ou recebido qualquer valor ou doação de Vorcaro, Lima ou Botelho.
Procurado, Augusto Lima declarou que não vai comentar o assunto.
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