Dívida dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez. | Foto: Reprodução
SUBTÍTULO: Estoque da dívida chegou a US$ 40,047 trilhões nesta semana, mais que o dobro do registrado quando Donald Trump assumiu a Presidência pela primeira vez; alta dos juros dos títulos aumenta o custo de financiamento do governo americano.
Publicado 20 de agosto de 2026 às 17:00
A dívida total dos Estados Unidos ultrapassou, pela primeira vez, a marca de US$ 40 trilhões. O estoque chegou a US$ 40,047 trilhões na terça-feira (18), segundo dados do Departamento do Tesouro americano. Desse total, US$ 32,266 trilhões estão em títulos nas mãos do público, enquanto US$ 7,782 trilhões correspondem à dívida intragovernamental.
O valor é mais que o dobro dos cerca de US$ 19,95 trilhões registrados em janeiro de 2017, quando Donald Trump assumiu a Presidência pela primeira vez.
Segundo a Reuters, cerca de um terço do aumento da dívida ocorreu durante os dois anos de forte endividamento relacionados às medidas de resposta à pandemia de Covid-19. O restante está ligado aos déficits persistentes e às políticas fiscais adotadas ao longo dos governos Trump e Joe Biden.
Durante o primeiro mandato de Trump, a dívida aumentou cerca de US$ 7,8 trilhões. No governo Biden, foram aproximadamente US$ 8,4 trilhões. Desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, o aumento chegou a outros US$ 3,8 trilhões.
O avanço da dívida ocorre em meio à alta dos rendimentos dos títulos de longo prazo do Tesouro. Na terça-feira (18), o rendimento do título de 30 anos chegou a 5,337%, maior nível desde 2007. Quando esses rendimentos sobem, o governo precisa pagar mais para financiar sua dívida, e o movimento também pode pressionar outras taxas de crédito.
Para tentar melhorar a liquidez do mercado, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou a ampliação das operações de recompra de títulos de longo prazo, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação.
A situação fiscal também é pressionada pelos déficits. Em julho, os Estados Unidos registraram déficit de US$ 432 bilhões, o maior já registrado para o mês. Nos dez primeiros meses do ano fiscal de 2026, o rombo acumulado chegou a US$ 1,799 trilhão, acima dos US$ 1,775 trilhão registrados em todo o ano fiscal de 2025. O resultado ocorre em meio ao crescimento de despesas, incluindo gastos com Previdência Social e Medicare, e às mudanças nas receitas relacionadas às tarifas.
Outro fator de preocupação é a menor demanda de investidores estrangeiros, que detêm aproximadamente um terço dos títulos do Tesouro americano. Com menor participação externa, outros investidores precisam absorver uma parcela maior da dívida, o que pode aumentar a pressão sobre os rendimentos.
O Congressional Budget Office (CBO), órgão apartidário do Congresso, estima ainda que a lei de reconciliação aprovada em 2025 aumentará em US$ 4,7 trilhões os déficits acumulados entre 2026 e 2035.
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O CBO também projeta que os gastos líquidos com juros da dívida passem de cerca de US$ 1 trilhão em 2026 para US$ 2,1 trilhões em 2036. A agência considera que a trajetória fiscal projetada para os Estados Unidos não é sustentável.
A marca de US$ 40 trilhões, portanto, ocorre em um momento de forte pressão sobre as contas públicas e levanta preocupações sobre o custo de continuar financiando a dívida e os possíveis efeitos de juros mais altos sobre o crédito e os mercados.
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