Diego Breno, colunista de Esportes do NOVO Notícias

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Opinião

TOQUE DE LETRA Diego Breno: A ressurreição alvinegra

por: Por Diego Breno ([email protected])

Publicado 17 de agosto de 2026 às 14:02

O ABC subiu. Há, nessa frase curta, o som de um dique que se rompe, o alívio de um fardo e a certeza de que nem todo inverno dura para sempre. Assim que o apito final soou na Arena das Dunas, o que explodiu no peito de cada alvinegro não foi apenas o grito de acesso à Série C. Foi o grito contido de quem passou os últimos anos engolindo o pó de uma desgraça que parecia não ter fim.

Desde aquelas noites iniciadas em abril de 2023, quando enfrentou o Grêmio na Copa do Brasil, o torcedor abecedista aprendeu a caminhar pisando em cacos de vidro. E foi assim até se despedir da Série B naquele mesmo ano. As temporadas de 2024 e 2025 pareciam um novo capítulo de uma crueldade planejada. Alguns vices estaduais para o seu maior rival, eliminações dolorosas e inexplicáveis na Copa do Brasil, a soma de mais um rebaixamento… um vazio que parecia engolir a própria história do clube. O sentimento de amor do torcedor havia virado um exercício diário de paciência.

Nessas magias cruéis que o futebol apresenta, exige-se que o preço total do sofrimento seja pago antes de se abrir a porta da redenção. E a história reservava o capítulo da grande lavagem de alma dos mais de 31 mil alvinegros que transformaram as arquibancadas em um altar de fé. Entre eles, figuras humanas que, com suas falhas, suas rugas de expressão e suas marcas de suor, puderam personificar a glória de um clube.

Comecemos por Eduardo Machado. Se você perguntasse à maioria dos alvinegros — e até mesmo a companheiros de imprensa e a este que vos escreve —, a resposta era unânime: afastamento. Fosse onde fosse, Eduardo ouviu os gritos, sentiu o peso da rejeição e conheceu todo o rancor de pessoas que passaram a desacreditá-lo. Ao provar sua resiliência durante o conturbado período desde que assumiu a presidência alvinegra, mostrou que certas teimosias valem a pena.

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E o que dizer de Wallyson? Quantas vezes não ouvimos que o tempo dele havia passado? A desconfiança rasteira dizia que ele já não era mais útil. No entanto, os deuses do futebol têm uma ironia poética infalível: entregaram justamente a um dos maiores ídolos a glória da redenção. O “Mago” não correu apenas com a bola nos pés. O camisa 11 correu carregando o peso de cada dúvida plantada sobre a sua importância. Ele nos lembrou que a grandeza de um ídolo não mora na velocidade da juventude, mas na insolência de sua história.

Na beira do campo, a descrença tinha nome e sobrenome: Waguinho Dias. A princípio, seus últimos trabalhos o credenciavam como apenas mais um técnico chegando a um clube que parecia girar em falso, parado no mesmo lugar. Eu mesmo não acreditava. Só que Waguinho mostrou que, com silêncio e suor, a transformação de um grupo que se olhava no espelho com medo exigiria mais do que tática e brio. O comandante abecedista entregou aquilo de que se necessitava, e não o que a impaciência exigia.

Ao somar todas essas histórias, o acesso do “Mais Querido” não foi apenas “subir de divisão”. Foi a prova heroica de que a vida sempre acha um jeito de brotar, mesmo onde só havia descrença e cinzas. Foi, basicamente, um espelho da nossa humanidade. Sempre que duvidamos de nós mesmos e dos nossos, a vida nos surpreende. É como dizem: a esperança, por mais espancada que seja, é a única força capaz de ressuscitar quem quer que seja. Ontem, foi a vez do ABC.

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