Debate da Inter TV reúne embates sobre corrupção, previdência e obras entre Allyson e Cadu
Os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu de Lula (PT), participaram na noite desta quinta-feira (22) do debate promovido pela Inter TV Cabugi, em Natal, marcando o último confronto televisivo direto antes da votação de segundo turno no próximo domingo (25). Sob mediação da jornalista Emmily Virgílio, o programa foi estruturado em quatro blocos que intercalaram perguntas de temas livres e sorteios temáticos, com discussões centradas em acusações sobre honestidade administrativa, responsabilidade fiscal, segurança pública, combate à seca e investimentos em infraestrutura.
Os blocos com tempo livre foram pautados por atritos sobre a conduta ética e a gestão de recursos públicos. Cadu questionou o oponente a respeito de investigações da Polícia Federal sobre contratos de fornecimento de medicamentos na Prefeitura de Mossoró, no âmbito da Operação Mederi. Allyson negou a prática de irregularidades, afirmou que o adversário tentava desviar a atenção das deficiências da administração estadual e contra-atacou cobrando explicações sobre atrasos no repasse de valores descontados de empréstimos consignados dos servidores públicos estaduais às instituições bancárias. O petista declarou que a situação dos consignados está sendo saneada e defendeu o equilíbrio das contas da gestão Fátima Bezerra.
No debate sobre as contas públicas e previdência, o candidato do PT cobrou explicações sobre a lei que autorizou o parcelamento das dívidas previdenciárias de Mossoró e questionou o atraso no pagamento das parcelas inaugurais. Allyson rebateu apontando a existência de um déficit atuarial significativo na previdência estadual, argumentando incertezas no calendário de pagamento dos aposentados potiguares. Cadu justificou que o déficit histórico decorre do envelhecimento natural do quadro do funcionalismo e ressaltou que a nota de Capacidade de Pagamento (Capag) do Estado, atualmente em nível de “Cap pós-décadas de descumprimento dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal”, tem metade a avançar para a nota máxima em dois anos. O postulante do União Brasil também alegou que o governo estadual estaria preparando um decreto com cortes de R$ 195 milhões em saúde e segurança, afirmação refutada pelo petista, que declarou desconhecer a minuta.
No eixo das propostas econômicas e tributárias, os candidatos apresentaram compromissos para a mobilidade e tributos. Allyson defendeu a isenção do IPVA para motocicletas de até 170 cilindradas com anistia de dívidas anteriores e a edificação de uma terceira ponte sobre o Rio Potengi em Natal, além de prometer agilidade na concessão de licenças ambientais para novos empreendimentos. Já Cadu propôs estender a isenção do IPVA para frotas de motoristas por aplicativo e cooperativas de transporte, prometeu zerar a fila de cirurgias eletivas na rede pública, defendeu a reestruturação do Idema com foco na preservação ambiental e listou como obras prioritárias a conclusão da duplicação da BR-304, a Adutora do Agreste, a implantação do Hospital Metropolitano e o projeto da BR Litorânea, criticando a gestão de Allyson pelo fechamento do estádio Nogueirão.
A pauta social e de segurança abordou ações contra a seca e políticas para as mulheres. Diante de questionamentos sobre o abastecimento em Santa Cruz, Cadu ressaltou os investimentos estaduais em obras hídricas em parceria com o governo federal. Sobre a proteção feminina, o petista apontou a ampliação da Patrulha Maria da Penha e o fortalecimento das delegacias especializadas, enquanto Allyson apontou indicadores do Anuário de Segurança Pública para afirmar que os índices de feminicídio subiram no estado, destacando que armou a Guarda Municipal em Mossoró e assegurando tolerância zero a agressores de mulheres.
Nas considerações finais, Cadu de Lula classificou sua postulação como a campanha do “tostão contra o milhão”, afirmando ter mantido coerência ética em sua primeira disputa eletiva. O candidato reafirmou o alinhamento político com o presidente Lula e declarou orgulho da gestão de Fátima Bezerra, enfatizando que seu governo terá identidade administrativa própria pautada pela honestidade e pelo diálogo. Por sua vez, Allyson Bezerra resgatou sua origem humilde no campo para afirmar que compreende as demandas da população pelo SUS, pela educação e pela segurança pública. O ex-prefeito sustentou que sua experiência executiva em Mossoró comprovou capacidade de governar para todos e convocou o eleitorado a confirmar um voto de mudança administrativa no estado no próximo domingo.
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