Mudança radical
O senador Styvenson Valentim (Podemos) deu um cavalo de pau na própria narrativa para a disputa eleitoral deste ano. Ele, que no passado construiu a imagem de ferrenho crítico do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) — chegando a brigar no Congresso e votar contra a ampliação dos recursos —, mudou radicalmente a postura.
100% do teto
Registros da Justiça Eleitoral apontam que Styvenson já recebeu a bagatela de R$ 3.811.887,03 de verba pública para sua campanha ao Senado. O valor equivale exatamente ao teto máximo permitido por lei para o cargo nas Eleições 2026.
Passado
Para quem acompanhava o parlamentar em 2018 e nos primeiros anos de mandato, a partir de 2019, a cena causa um misto de estranheza e ironia. O discurso inflamado contra o uso do dinheiro do contribuinte na política deu lugar ao uso integral da verba disponível pela legenda.
Justificativa no bolso
Internamente e em entrevistas passadas, o senador já vinha preparando o terreno ao sinalizar que “mudaria de postura” para jogar no mesmo nível dos adversários. Resta saber como o eleitorado, que o elegeu justamente com a bandeira da antipolítica e do “zero fundo”, vai digerir essa fatia milionária do bolo eleitoral.
Natal, a escolhida
A governadora Fátima Bezerra reconheceu, em entrevista ao programa Tamo Junto, na 88 FM, que se “empenhou muito” para garantir que Natal fosse escolhida por Lula e pela sua equipe de campanha como o lugar para dar início oficialmente às movimentações de rua para as eleições de outubro.
Importância
A definição pela capital potiguar, segundo Fátima, era importante porque havia receio de que, à medida que a campanha fosse afunilando, a coordenação de Lula passasse “a olhar mais para os grandes centros”, para os maiores colégios eleitorais do país. “Para nós, era infinitamente mais desejável que ele estivesse logo no início aqui, para dar gás à campanha do time de Lula no RN”, disse.
Férias ou ministério?
Questionada no programa Tamo Junto sobre a possibilidade de assumir um ministério em um eventual novo governo Lula, a governadora Fátima Bezerra desconversou, mas deixou a porta aberta. Afirmou que, se receber um convite no futuro, analisará com “todo o senso de responsabilidade”. No entanto, garantiu que a prioridade total no momento é a campanha eleitoral. E brincou: após o pleito, o que deseja mesmo é tirar “umas feriazinhas”.
Farpas no ar
A disputa ao Senado Federal entre Zenaide Maia e Rafael Motta tem se intensificado e ganhou novos contornos de tensão nesta semana. É que, em entrevista à 96 FM nesta quinta-feira (27), o candidato do Time de Lula fez uma crítica indireta — mas com endereço certo — quando afirmou que existem concorrentes ao cargo que atuam como “tutelados” pelo próprio marido.
Endereço certo
Apesar de não citar nomes expressamente, muitos entenderam que o recado teve como alvo a senadora Zenaide Maia. A parlamentar atua em forte dobradinha com o marido, Jaime Calado, prefeito de São Gonçalo do Amarante e peça central nas articulações do PSD no Rio Grande do Norte. “Tem outros pretensos candidatos a Senado aí que são tutelados, né, por marido”, disparou o pedetista, ao tentar marcar posição e defender sua independência política.
Tropeço
A fala, considerada machista, tem rendido repercussão negativa para Rafael e está sendo comparada a outras falas dele nas eleições de 2024 contra a então candidata do PT a prefeita, Natália Bonavides.
Autonomia
Para encorpar o discurso de autonomia, Rafael resgatou seu desempenho no pleito de 2022. Ele lembrou que iniciou a corrida ao Senado com cerca de 3% das intenções de voto e conseguiu encerrar a disputa com quase 23% da preferência do eleitorado, alcançando 385 mil votos, mesmo sem contar com o respaldo da maioria do caciquismo político do estado.
Ciumeira
O ex-deputado também passou a limpo a montagem do palanque do presidente Lula no RN. Ele admitiu que houve uma “pequena ciumeira” quando a governadora Fátima Bezerra decidiu indicar Samanda Alves — a quem se referiu como “pupila” da chefe do Executivo — para a disputa ao Senado. Contudo, Rafael fez questão de ponderar que os ruídos internos ficaram no passado e assegurou que o grupo político segue alinhado para pedir votos tanto para Lula quanto para Cadu Xavier.
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