O gás liquefeito de petróleo (GLP), também conhecido como gás de cozinha ou gás de botijão, é utilizado em diferentes setores, do uso doméstico à indústria, e tem importância para a população brasileira. Ao mesmo tempo, as variações de preço podem pressionar o orçamento das famílias e os custos de atividades que dependem do combustível.
Em Natal, o valor do botijão de gás de cozinha tem pesado no orçamento das famílias. Levantamento realizado pelo Procon Natal em 22 de setembro aponta que o botijão de 13 quilos custa, em média, R$ 114 na capital potiguar, com valores entre R$ 95 e R$ 130 nos estabelecimentos pesquisados. Em um ano, a média passou de R$ 103 para R$ 114, uma alta de 10,67%.
A alta também aparece no cenário estadual. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do botijão de 13 kg no Rio Grande do Norte passou de R$ 105,98 na primeira semana de janeiro para R$ 115,95 na segunda semana de setembro, alta de 9,4% no acumulado de 2026 até aquele momento.
Nesse cenário, iniciativas voltadas à ampliação do acesso ao botijão ganham relevância, enquanto o GLP permanece presente tanto na rotina das famílias quanto em atividades econômicas que dependem do combustível.
Famílias querem programa que ajude a comprar botijão de gás
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva para o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) mostra que 93% dos brasileiros são favoráveis a políticas para ajudar famílias de baixa renda a comprar botijões de gás. O apoio é de 91% entre as classes A e B e chega a 95% entre C, D e E.
O levantamento também aponta que o GLP é associado a diferentes setores da economia. Para 88% dos entrevistados, o gás de cozinha ajuda o Brasil a funcionar diariamente, enquanto 86% consideram o produto muito importante para a economia.
Em média, os brasileiros afirmam conhecer oito aplicações do GLP. A cadeia de produção de alimentos é o setor mais associado ao combustível: 96% conhecem pelo menos um uso. O índice é de 92% na indústria, 66% no agronegócio e 68% na saúde.
GLP nos negócios e no dia a dia
A pesquisa também destaca a importância do GLP para pequenos negócios e serviços essenciais. Para 86% dos entrevistados, pequenos empreendimentos dependem do gás para sobreviver, enquanto 88% acreditam que muitos serviços essenciais seriam afetados sem o combustível.
No uso doméstico, 90% dizem que o gás de cozinha contribui para uma alimentação adequada, e 88% o consideram parte da segurança alimentar do país. Além disso, 85% avaliam que famílias sem condições de comprar um botijão podem recorrer a fontes menos seguras, como lenha, carvão ou materiais improvisados.
Gás do povo
O acesso ao gás por mais famílias ganhou força no fim de 2025, com a aprovação do programa Gás do Povo. Criado pela Lei nº 15.348/2026, o programa visa atender 17 milhões de famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa, três vezes mais que o antigo Auxílio Gás.
A gratuidade é financiada pelo governo federal. A previsão inicial era de R$ 5,1 bilhões para o programa em 2026.
Com a alta do petróleo e os impactos de guerras sobre os preços, o governo destinou mais R$ 300 milhões ao programa neste ano.
Portanto, variações no preço do botijão podem alterar a composição das despesas domésticas e influenciar decisões de consumo. Nesse cenário, iniciativas como o gás do povo passaram a integrar as discussões sobre acesso ao gás de cozinha.
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