Força-tarefa investiga ameaças de envenenamento e incêndio de casa de reza; PF e MPF atuam no estado. | Foto: Divulgação
Gravações atribuídas a dois servidores municipais mencionam envenenar a água consumida por indígenas; perícias preliminares não apontaram contaminação nos poços
Publicado 2 de novembro de 2026 às 15:00
A ameaça de envenenar a água consumida por indígenas e o incêndio de uma casa de reza estão entre os episódios que levaram três ministros do governo federal a Mato Grosso do Sul. Os casos envolvem comunidades Guarani Kaiowá e são investigados pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF).
A viagem ocorreu por determinação do presidente Lula (PT), após relatos de agressões, ameaças e violações de direitos humanos na região, depois do segundo turno das eleições.
Participam da visita os ministros Eloy Terena, dos Povos Indígenas; Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública; e Janine Mello, dos Direitos Humanos e da Cidadania. Também estão na comitiva as deputadas federais Sônia Guajajara (Psol-SP) e Célia Xakriabá (Psol-MG).
O caso ganhou repercussão após a divulgação de gravações atribuídas a dois servidores da Prefeitura de Tacuru. Em uma das gravações, um homem diz: “Tem que matar essas pragas na água”, em referência aos indígenas.
A prefeitura confirmou que os dois homens são funcionários municipais. Um deles é motorista de caminhão-caçamba da Secretaria de Infraestrutura. O outro trabalha na coleta de resíduos. Ambos foram afastados e respondem a processos administrativos disciplinares.
O cacique da aldeia Sassoró, Ivan Montiel, informou que cerca de 98% das casas da comunidade recebem água encanada. O abastecimento é feito por poços artesianos.
Segundo o MPF, as perícias preliminares não encontraram contaminação nos poços. A Polícia Federal continua investigando as ameaças e as gravações.
Na quinta-feira (29), a casa de reza da liderança espiritual Ñandesy Roberta, de 90 anos, foi destruída por um incêndio na aldeia Jaguapiré, também em Tacuru. O caso é investigado como incêndio criminoso.
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A deputada Célia Xakriabá afirmou que os episódios não seriam isolados e classificou a violência como “orquestrada”. Para ela, as hostilidades contra os indígenas têm relação com a mobilização das comunidades durante o período eleitoral.
Os ministros também visitaram a aldeia Taquaperi, em Coronel Sapucaia. Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), mais de 3,3 mil indígenas Guarani Kaiowá vivem na comunidade.
A atuação envolve a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A Força Nacional também atua nas comunidades indígenas.
O governo federal informou que continuará acompanhando as comunidades e que os responsáveis deverão ser identificados e responsabilizados, caso os crimes sejam comprovados.
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