Rastreamento identifica infecções antes do surgimento de lesões. Foto: Divulgação/MS
Tecnologia identifica o vírus HPV antes do surgimento de lesões e permite ampliar intervalo de exames para cinco anos; procedimento é ofertado na rede básica do SUS
Publicado 30 de outubro de 2026 às 08:51
Vinte e cinco municípios do Rio Grande do Norte passaram a oferecer na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) o teste molecular DNA-HPV, exame voltado à detecção precoce de alterações celulares associadas ao câncer do colo do útero. O exame identifica a presença do papilomavírus humano (HPV) antes do aparecimento de feridas no órgão e, em caso de laudo negativo, possibilita estender o intervalo de monitoramento das pacientes para até cinco anos.
A metodologia laboratorial reduz as taxas de amostras inconclusivas e acelera o diagnóstico, identificando com precisão os tipos 16 e 18 do vírus, que concentram o maior risco para o desenvolvimento da enfermidade.
No território potiguar, a coleta já pode ser realizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos seguintes municípios: Afonso Bezerra, Bento Fernandes, Caiçara do Norte, Caiçara do Rio do Vento, Ceará-Mirim, Galinhos, Guamaré, Jandaíra, Jardim de Angicos, João Câmara, Lajes, Macau, Maxaranguape, Parazinho, Pedra Grande, Pedra Preta, Pedro Avelino, Poço Branco, Pureza, Riachuelo, Rio do Fogo, São Bento do Norte, São Miguel do Gostoso, Taipu e Touros.
Acesso e formato de coleta
O procedimento é realizado pelas equipes de enfermagem e saúde da família nas UBSs. De acordo com os protocolos clínicos estabelecidos, o teste também pode ser feito pelo modelo de autocoleta — modalidade em que a própria paciente recolhe a amostra biológica em ambiente reservado, após receber instruções técnicas prévias do profissional de saúde.
O Ministério da Saúde informou que o exame tradicional de Papanicolau (preventivo convencional) segue ativo em toda a rede pública enquanto o método molecular é expandido. O processo conta com o suporte do programa federal “Agora Tem Especialistas”, que viabiliza consultas e exames de média e alta complexidade quando há detecção de anormalidades.
Cenário nacional e insumos
Em todo o país, a estratégia alcança 26 unidades da Federação, restando apenas o Espírito Santo, cuja previsão de entrega dos materiais está programada para este ano após adequações logísticas. Entre 2025 e 2026, foram colhidas 153 mil amostras no Brasil. Desse universo, 93 mil já foram processadas laboratorialmente em 2026, com 9.904 casos positivos confirmados para cepas de alto risco oncológico. Os kits de testagem são fabricados pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP/Fiocruz).
A ampliação diagnóstica ocorre em paralelo aos avanços de imunização. Em 2025, o Brasil superou as médias globais de vacinação contra o HPV no público entre 9 e 14 anos, atingindo 87% de cobertura entre as meninas e 74% entre os meninos.
Projeções e sintomas de alerta
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Brasil deve registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028. Quando identificada nas fases iniciais, a doença atinge taxa de cura de 100%.
Profissionais de saúde alertam que a patologia pode evoluir silenciosamente no início. Os principais sinais clínicos que exigem investigação médica incluem:
Em quadros mais avançados, o quadro pode vir acompanhado de dores lombares contínuas, fadiga intensa, inchaço nos membros inferiores e disfunções no sistema urinário e renal.
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