Rogério Marinho - Foto: Ton Molina/Agência Senado
Coordenador da campanha presidencial contrariou manifestação divulgada pelo senador nos EUA, mas reforçou que legenda dará continuidade a processos na Justiça Eleitoral
Publicado 29 de outubro de 2026 às 07:58
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que atuou como coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta quarta-feira (28) que o partido não pode endossar acusações de fraude no processo eleitoral pela ausência de comprovações técnicas. A posição foi externada após Flávio divulgar uma carta pública na qual se intitula “líder do Brasil”, contesta o resultado das urnas e anuncia que pretende articular a oposição diretamente dos Estados Unidos.
“Não, o PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há prova nesse sentido”, declarou Marinho em conversa com jornalistas.
A postura adotada pelo parlamentar potiguar alinha-se ao posicionamento institucional do próprio Partido Liberal, que reconheceu na segunda-feira a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento partidário diverge da reação inicial de Flávio, que no domingo (25), logo após a confirmação da derrota em segundo turno, havia declarado ser “impossível reconhecer” o resultado e prometido acionar a Justiça para tentar anular a votação.
Manutenção de processos no TSE
Embora tenha descartado a narrativa de fraude desprovida de sustentação material, Rogério Marinho garantiu que o PL não retirará os questionamentos formais apresentados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o dirigente, a legenda conduz mais de 20 ações judiciais que contestam a legalidade da chapa vitoriosa, encabeçada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
“Nós não vamos abrir mão de nenhuma das ações que foram impetradas”, ressaltou o senador, apontando a intenção de manter os litígios que solicitam a eventual cassação da chapa eleita.
Reação à carta e situação do senador
Ao analisar o documento divulgado pelo candidato derrotado, Marinho classificou a manifestação como um efeito emocional do cenário político e de sua saída do território nacional.
“Suponho que seja um desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado, que foi retirado do seu país pelas circunstâncias que todos vocês já sabem e certamente está extremamente abalado no processo”, disse. O coordenador acrescentou que o direito à livre manifestação é resguardado pela Constituição, mas frisou que acusações formais exigem lastro probatório.
Marinho tratou Flávio como “exilado político” e defendeu sua permanência no exterior como mecanismo de autopreservação e liberdade de expressão política. O senador pontuou que, apesar do receio de prisão manifestado pelo aliado, não há atualmente ordem formal de detenção contra ele, existindo apenas a retenção de passaportes decretada pela Justiça.
O líder informou que conversou rapidamente com o colega de bancada por intermédio de um advogado para prestar solidariedade e que planeja manter diálogos regulares a partir desta quinta-feira (29) para avaliar a atuação da oposição.
Contexto da apuração
A corrida presidencial foi sacramentada pelo TSE às 21h09 de domingo (25), confirmando a reeleição de Lula com 64.256.232 votos (51,79%), enquanto Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos (48,21%).
Sete minutos após a divulgação do resultado oficial pelo tribunal eleitoral, a Polícia Federal solicitou a retenção do passaporte do senador ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem judicial que vetou a saída do país foi descumprida pelo parlamentar, que cruzou a fronteira terrestre com a Argentina e viajou com a esposa e as duas filhas adolescentes em direção a Miami, nos Estados Unidos.
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