Segundo filme sobre Bolsonaro teve convite a Vorcaro e é alvo da Ancine. | Foto: Reprodução
Ancine questionou o valor declarado pela produtora de A Colisão dos Destinos, enquanto entidades ligadas ao documentário receberam R$ 1,5 milhão de diferentes fontes
Publicado 20 de outubro de 2026 às 14:28
A Dori Filmes declarou à Agência Nacional do Cinema (Ancine) ter gasto R$ 4,5 mil na produção do documentário A Colisão dos Destinos, sobre Jair Bolsonaro. A agência questionou o valor e pediu esclarecimentos sobre os custos da obra. Reportagem da Agência Pública, publicada nesta terça-feira (20), identificou R$ 1,5 milhão em recursos recebidos por entidades ligadas ao diretor Doriel Francisco durante o período de produção do filme.
À Ancine, a Dori Filmes afirmou que não teve gastos com produção e finalização porque os profissionais trabalharam voluntariamente. A agência considerou o valor incompatível com os custos de uma produção audiovisual e abriu uma diligência para esclarecer o financiamento do documentário.
Segundo a Agência Pública, R$ 860 mil vieram de emendas parlamentares de Mario Frias (PL-SP), Marcos Pollon (PL-MS) e Eduardo Bolsonaro (PL). Outros R$ 600 mil foram pagos pelo diretório do Partido Liberal. Já a Academia Nacional de Cultura, ONG ligada à produtora do filme Dark Horse, aparece relacionada a outros R$ 84 mil.
Os recursos foram recebidos por entidades ligadas a Doriel Francisco. Isso não significa, porém, que os R$ 1,5 milhão tenham sido usados integralmente no documentário. A Dori Filmes recebeu R$ 106,4 mil desse total, segundo a reportagem.

A Agência Pública também obteve mensagens em que Mario Frias convidou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para assistir ao documentário. Em outra conversa, uma pessoa afirmou que Flávio Bolsonaro e Frias pretendiam levar Jair Bolsonaro à casa do empresário para ver o filme com ele.
As mensagens não comprovam que o encontro aconteceu. Na época, a assessoria de Flávio Bolsonaro negou que a sessão tivesse sido realizada, informou a Agência Pública.
A Ancine abriu outra apuração porque a distribuidora do documentário não informou quantas salas exibiram o filme nem o público alcançado. A empresa é obrigada a fornecer esses dados e foi notificada para apresentá-los.
Segundo a Agência Pública, o documentário estreou em 14 de maio, em 56 salas de cinema. A reportagem informou que procurou Doriel Francisco, a Dori Filmes e os parlamentares citados, mas não recebeu resposta até a publicação.
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