Planos de governo apresentam propostas para transferência de renda, emprego e proteção social. | Foto: iStock
Candidatos apresentam propostas diferentes para o salário mínimo, os impostos e as regras de contratação, mas não detalham todos os valores nem permitem prever quanto cada trabalhador ganhará
Publicado 20 de outubro de 2026 às 13:27
Quanto o trabalhador brasileiro poderá ganhar, pagar em impostos e gastar com as despesas do dia a dia? Os planos de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apresentam propostas diferentes para salário mínimo, tributação, transferência de renda e emprego, mas não detalham todas as possíveis mudanças nos benefícios.
No plano registrado no TSE, Flávio propõe reduzir impostos, diminuir gradualmente os custos para contratar trabalhadores e mudar regras do mercado de trabalho. Lula defende manter os aumentos reais do salário mínimo, ampliar a proteção aos trabalhadores e cobrar proporcionalmente mais impostos das rendas mais altas.
Neste levantamento exclusivo, o NOVO Notícias compara as propostas registradas pelos dois candidatos e distingue o que poderá mudar em um novo mandato das medidas que já estão em vigor.
O plano de Lula prevê manter a política de valorização do salário mínimo acima da inflação. Isso significa que os reajustes devem buscar um ganho real, e não apenas acompanhar a alta dos preços. O documento, porém, não informa qual será o valor do salário mínimo no fim de um novo mandato.
O plano de Flávio prevê corrigir o salário mínimo pela inflação, mas não traz o mesmo compromisso de garantir aumentos acima dela todos os anos. Assim, os documentos não permitem calcular qual será o valor do piso nacional ao fim de cada possível governo.
Flávio propõe reduzir impostos e mudar regras de tributação. O plano relaciona a redução dos impostos a mudanças nos gastos públicos e a medidas para estimular investimentos e negócios.
Lula propõe cobrar proporcionalmente mais impostos das rendas mais altas e dar continuidade à reforma dos impostos sobre o consumo.
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A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês já aparece como medida do atual governo. Para um novo mandato, porém, o plano não informa se haverá outra mudança na faixa de isenção.
O plano de Flávio propõe reduzir gradualmente os custos para contratar trabalhadores, com o objetivo de incentivar a criação de empregos formais. Entre as medidas, o documento prevê contratos mais baratos para jovens de 18 a 24 anos que procuram o primeiro emprego e para pessoas com 50 anos ou mais que estejam desempregadas há pelo menos 12 meses.
O plano não informa quais encargos seriam reduzidos, quanto a medida custaria nem quantas vagas poderia gerar.
Já o plano de Lula defende a proteção social, a valorização do trabalho e regras para as atividades realizadas por meio de aplicativos e outras plataformas digitais. O documento também propõe uma jornada semanal de 40 horas, sem redução de salário, e o fim da escala 6×1.
A mudança da jornada, no entanto, depende de aprovação legislativa.
Os planos apresentam propostas diferentes, mas não trazem dados suficientes para calcular quanto cada família poderia ganhar ou perder. O resultado dependerá da aprovação das propostas, da inflação, do crescimento da economia e dos recursos disponíveis para colocar as medidas em prática. Também é preciso distinguir o que está escrito nos planos do que os candidatos dizem durante a campanha.
A escala 6×1 é um exemplo. Durante a campanha, Flávio anunciou apoio ao fim desse modelo. No plano registrado no TSE, porém, o candidato prioriza jornadas flexíveis e não apresenta a mesma proposta de Lula: reduzir a jornada semanal para 40 horas sem cortar salários.
Os planos mostram o que cada candidato pretende fazer, mas não garantem quanto o trabalhador ganhará ou economizará.
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