Milton Leite indicou emenda que integrou recursos de contrato firmado entre a Prefeitura e o ICB em 2018 | Foto: Richard Lourenço/Rede Câmara

Política

INVESTIGAÇÃO Alvo de operação sobre PCC ajudou a liberar R$ 2,5 milhões para ONG de “Dark Horse”

Emenda de R$ 500 mil indicada por Milton Leite em 2018 integrou recursos que permitiram à Prefeitura de São Paulo contratar diretamente o ICB, comandado por Karina Gama

por: NOVO Notícias

Publicado 18 de setembro de 2026 às 15:05

O vereador e ex-presidente da Câmara de São Paulo Milton Leite, alvo nesta quinta-feira (17) de uma operação que investiga suspeitas de infiltração do PCC no transporte público da capital, indicou R$ 500 mil em emenda parlamentar para um projeto que recebeu, ao todo, R$ 2,5 milhões da Prefeitura de São Paulo. Os recursos foram usados em um contrato com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Gama, que mais tarde criou a produtora responsável pelo filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os documentos da Prefeitura mostram que os R$ 500 mil indicados por Leite, somados a emendas de outros três vereadores, chegaram aos R$ 2,5 milhões previstos para o projeto. A contratação do ICB foi feita diretamente pela Prefeitura, sem chamamento público.

Os recursos foram destinados ao Encontro Literário IDE, realizado no Anhembi, em São Paulo, em setembro de 2018. O evento teve programação de literatura cristã, com palestras, debates e atividades culturais. Pelo contrato, o ICB ficou responsável pela organização e execução do encontro.

Além da emenda de Leite, o projeto recebeu R$ 1,33 milhão indicados por Souza Santos, R$ 400 mil por Atílio Francisco e R$ 270 mil por Noemi Nonato. Juntas, as quatro emendas chegaram aos R$ 2,5 milhões previstos para o projeto.

Karina Gama já comandava o ICB em 2018 e assinou o contrato com a Prefeitura. Mais tarde, ela criou a Go Up Entertainment, responsável pela produção de Dark Horse. O ICB também passou a atuar em contratos públicos de valores mais altos, entre eles o projeto de Wi-Fi gratuito da Prefeitura de São Paulo, que aparece nas investigações atuais.

O ICB também contratou, por R$ 12 milhões, a Favela Conectada, que na época pertencia a Alex Leandro Bispo dos Santos. Documentos de inteligência citados nas investigações apontaram Bispo como possível integrante do PCC.

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O caso foi mencionado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao analisar uma possível conexão entre as apurações envolvendo Dark Horse e o contrato do Wi-Fi Livre SP. Os documentos citados nesta reportagem, porém, não apontam ligação entre Milton Leite e Alex Bispo nem comprovam que os dois episódios façam parte de um mesmo esquema.

Milton Leite é alvo de operação

Milton Leite é um dos alvos da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil para investigar suspeitas de infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo de São Paulo.

Segundo a decisão judicial que autorizou a operação, a investigação aponta Leite como “responsável direto pela operação” de empresas que seriam controladas pela facção. O documento também registra declarações de policiais segundo as quais o vereador seria o proprietário de fato da Transwolff.

Leite nega as acusações e qualquer ligação com o PCC. Ele afirmou que estava viajando, que não se considerava foragido e que pretendia se apresentar às autoridades para provar sua inocência. A decisão também ressalta que as medidas determinadas são cautelares e não representam uma antecipação do julgamento sobre a responsabilidade penal dos investigados.

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