Lula e outros cinco presidenciáveis tiveram os planos analisados | Foto: Reprodução

Política

ELEIÇÕES 2026 Planos de 6 presidenciáveis ficam R$ 342 bilhões distantes de estabilizar dívida

Levantamento do Ranking dos Políticos avaliou 478 propostas e concluiu que nenhum dos seis programas analisados alcança o esforço fiscal considerado necessário para estabilizar a dívida pública

por: NOVO Notícias, com informações da CNN

Publicado 18 de setembro de 2026 às 14:15

Todos os seis planos de governo apresentados pelos principais candidatos na disputa pela Presidência da República são insuficientes no que diz respeito à estabilização da dívida pública, de acordo com condições projetadas em uma análise realizada pelo Ranking dos Políticos.

Foram analisados os programas de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante), que reuniam 1.297 propostas. Dessas, 478 puderam ser submetidas à análise de custo, impacto econômico e compatibilidade com as regras orçamentárias.

Das propostas avaliadas, 217 foram consideradas viáveis, 249 parcialmente viáveis e 12 inviáveis. Nove dessas propostas estão no programa de Renan Santos e três no de Flávio Bolsonaro. Segundo o estudo, isso se deve principalmente ao fato de os dois candidatos terem atribuído valores específicos a propostas de maior impacto financeiro.

Zema

Segundo o estudo, o plano de Romeu Zema foi o que mais se aproximou do resultado necessário para estabilizar a dívida entre os seis analisados. Ainda faltariam R$ 392 bilhões por ano para alcançar esse resultado. O valor equivale a 2,9% do PIB. O saldo central projetado para o programa é negativo em R$ 50 bilhões anuais.

Em um dos cenários, o resultado chega a ficar positivo, mas isso dependeria de uma reforma da Previdência cujos efeitos fiscais mais fortes apareceriam depois do fim do mandato. O programa também prevê substituir o atual arcabouço fiscal, sem apresentar uma nova âncora explícita.

Cury

Augusto Cury é o único dos seis candidatos que apresenta uma meta fiscal própria declarada: chegar perto de zerar o déficit durante o mandato. Mesmo assim, o estudo conclui que essa meta não seria suficiente para interromper a alta da dívida.

O programa apresentou resultado semelhante ao de Zema, com R$ 393 bilhões por ano de distância da estabilização, ou 2,9% do PIB, e saldo negativo de R$ 51 bilhões anuais. O levantamento também aponta que 67% das propostas de Cury não puderam ser mensuradas por falta de dados orçamentários.

Caiado

No caso de Ronaldo Caiado, o estudo considera o programa o mais claro e estruturado na apresentação das consequências fiscais das propostas. A principal ressalva apresentada pelo estudo diz respeito à regra fiscal defendida pelo candidato.

O mecanismo prevê que as despesas obrigatórias cresçam abaixo do PIB nominal. Segundo a análise, porém, a regra seria menos restritiva que o arcabouço atual. O plano apresenta saldo deficitário de R$ 69 bilhões por ano e distância de R$ 411 bilhões anuais, ou 3% do PIB, em relação ao resultado necessário para estabilizar a dívida.

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Como Caiado também promete não aumentar tributos, o estudo afirma que o programa não detalha quais despesas seriam cortadas para financiar as propostas.

Lula

Segundo o estudo, o programa do presidente Lula prevê manutenção ou ampliação de despesas públicas. A análise, porém, faz uma ressalva: apenas 29% das propostas puderam ser classificadas com base em fontes externas, o menor índice de cobertura entre os seis programas.

Por isso, o resultado considera apenas as propostas que puderam ser calculadas pelo método utilizado no estudo. Dentro desses critérios, o programa apresenta saldo deficitário de R$ 111 bilhões por ano e distância de R$ 452 bilhões anuais, ou 3,3% do PIB, em relação ao nível necessário para estabilizar a dívida.

Flávio Bolsonaro

O programa de Flávio Bolsonaro apresenta saldo deficitário de R$ 154 bilhões por ano e distância de R$ 496 bilhões anuais, equivalente a 3,6% do PIB, em relação ao resultado necessário para estabilizar a dívida. O candidato também propõe substituir o atual arcabouço fiscal, mas, segundo o levantamento, não apresenta uma nova âncora ou meta fiscal com critérios claros.

O estudo ressalta que o cálculo considera apenas o que pôde ser mensurado. 68% das propostas não apresentavam dados explícitos. Já algumas propostas de maior impacto, como desonerações tributárias e metas para o sistema prisional, receberam valores no documento.

Renan Santos

O programa de Renan Santos, do Missão, está entre os que tiveram propostas classificadas como inviáveis. Das 12 propostas consideradas inviáveis nos seis programas, nove pertencem ao plano do candidato.

Segundo o estudo, isso não significa necessariamente que o programa seja mais ambicioso que os demais. O relatório atribui o resultado ao fato de Renan ter apresentado valores específicos para propostas de maior custo, o que permitiu submetê-las ao teste fiscal.

Quanto seria necessário para estabilizar a dívida

O levantamento usou como referência o Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 113 da Instituição Fiscal Independente (IFI), publicado em junho de 2026. Também considerou o limite de crescimento real das despesas previsto no arcabouço fiscal e a regra de ouro da Constituição.

Segundo a análise, a IFI estima que seria necessário um superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a dívida bruta. A projeção para 2026, porém, é de déficit primário de 0,4% do PIB.

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A diferença entre os dois resultados é de 2,5 pontos percentuais do PIB, o equivalente a aproximadamente R$ 342 bilhões por ano. Pelos critérios usados no levantamento, esse é o esforço fiscal estimado antes mesmo de considerar novas promessas de gastos feitas durante a campanha.

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