Venezuela negocia transferência de US$ 4 bilhões em ouro para os EUA
O governo da Venezuela está próximo de concluir um acordo para transferir as reservas de ouro do banco central do país, avaliadas em cerca de US$ 4 bilhões (aproximadamente R$ 21,8 bilhões), do Banco da Inglaterra para o Federal Reserve Bank de Nova York, nos Estados Unidos. A informação foi divulgada pelo jornal britânico Financial Times.
Conforme os termos em negociação, a administração interina liderada por Delcy Rodríguez passará a deter o controle legal sobre as 31 toneladas de ouro, mas sem autorização expressa para vendê-las de forma imediata. O entendimento prevê que as reservas sejam utilizadas estritamente como garantia financeira para a contratação de empréstimos internacionais, com o objetivo de financiar despesas públicas e custear a reconstrução de cidades atingidas por terremotos na Venezuela.
A transferência representa um dos primeiros resultados concretos do diálogo mediado pelos Estados Unidos para estabelecer condições institucionais voltadas à realização de novas eleições na Venezuela. A concretização do acordo busca encerrar um impasse judicial de sete anos, iniciado em 2019, quando governos como os dos EUA e do Reino Unido reconheceram o então presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como chefe de Estado legítimo, bloqueando o acesso do governo venezuelano aos cofres britânicos.
A oposição venezuelana exige a criação de mecanismos de controle para impedir o uso inadequado dos recursos. Representantes do bloco opositor declararam ao Financial Times que o ouro permanecerá sob custódia supervisionada em Nova York, impedindo o acesso direto do Executivo de Caracas às reservas. O Banco da Inglaterra informou que não realizará movimentações até que uma definição judicial determine a autoridade legal sobre a conta que abriga as barras.
Reaproximação internacional e alívio de sanções
O processo de negociação das reservas coincide com a reconfiguração das relações diplomáticas da Venezuela. O cenário internacional mudou após a operação conduzida pelos Estados Unidos que resultou na prisão do então presidente Nicolás Maduro, permitindo que Washington abrandasse parte das sanções econômicas impostas ao país.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reatou relações oficiais com a Venezuela após sete anos de suspensão, liberando o acesso de Caracas aos recursos mantidos na instituição. Além disso, o Reino Unido concordou em elevar o nível das relações bilaterais com o retorno de um embaixador à capital venezuelana. As conversas sobre os trâmites do ouro seguem em andamento e ainda dependem da resolução de detalhes técnicos entre as partes.
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