Mario Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro são alvos de buscas da PF
Com relatoria de Flávio Dino, ação apura peculato e lavagem de dinheiro em repasses a entidades de Karina Gama; STF também investiga repasses milionários de ex-banqueiro
Publicado 10 de setembro de 2026 às 07:57
A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, na manhã desta quinta-feira (10 de setembro), a Operação “Make Up” para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos originários de emendas parlamentares em favor do filme “Dark Horse” — projeto de cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
O deputado federal e ex-secretário de Cultura, Mario Frias (PL-SP), e a produtora do filme, Karina Gama, são os principais alvos das medidas cautelares. A Polícia Federal efetuou buscas também nas sedes de duas entidades de propriedade da empresária: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a relatoria do ministro Flávio Dino, que não expediu mandados de prisão para esta etapa da operação.
De acordo com as investigações, a organização criminosa, composta por agentes públicos e empresários, direcionava recursos federais de emendas a uma organização da sociedade civil que, de forma irregular, repassava os valores para empresas subcontratadas sem a devida comprovação de prestação de serviços. A PF afirma que as movimentações financeiras entre as empresas do esquema superam a marca de centenas de milhões de reais e que tentativas de ocultação do dinheiro prosseguiram até julho deste ano.
Auditorias realizadas pela CGU embasaram a operação ao constatar irregularidades na prestação de contas e suspeitas de desvio em uma emenda de R$ 2 milhões indicada pelo deputado Mario Frias especificamente para entidades vinculadas à produtora Karina Gama. Os alvos são investigados pelos crimes de peculato, falsidade documental, organização criminosa, crimes licitatórios e lavagem de capitais.
O caso “Dark Horse” tramita no Supremo em duas frentes independentes. Enquanto o ministro Flávio Dino supervisiona a investigação sobre o suposto desvio de dinheiro público por meio de emendas parlamentares, o ministro André Mendonça relata um inquérito focado no financiamento privado do filme. Esta segunda frente apura o repasse de dezenas de milhões de reais realizados pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro (ex-dono do Banco Master), a pedido do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), para cobrir os custos do longa-metragem.
Na última quarta-feira (9), Mendonça homologou o acordo de delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior (“Mineiro”), proprietário da Entre Investimentos, empresa que operacionalizou os repasses de Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro. Segundo os depoimentos assinados com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Mineiro realizou sete transferências, entre janeiro e setembro de 2025, totalizando US$ 12,3 milhões (R$ 62,8 milhões), sob o título de “subscrições de cotas” para o fundo Havengate nos Estados Unidos.
O fundo recebedor americano é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal investiga se o montante repassado foi empregado exclusivamente na produção cinematográfica de “Dark Horse” ou se parte da verba foi desviada para custear a manutenção de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
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