Mendonça indicou que a rede de influência de Vorcaro pode envolver autoridades com foro especial . Foto: Rosinei Coutinho/STF
O encontro de duas horas ocorreu em março de 2025 na sede de instituto fundado pelo magistrado; mensagens indicam conhecimento prévio de problemas do banco no Banco Central
Publicado 2 de setembro de 2026 às 08:34
Mensagens e áudios extraídos do telefone celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, revelam que o banqueiro realizou um encontro secreto com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, no dia 14 de março de 2025, em São Paulo. A reunião privada, que não constava na agenda pública oficial do magistrado, ocorreu na sede do Instituto Iter — fundado pelo próprio ministro — e foi articulada durante semanas por intermediários do meio político e jurídico.
O material foi obtido pelo jornalista Paulo Motoryn e divulgado na newsletter Noites Húngaras. De acordo com a apuração de dados, a reunião de aproximadamente duas horas ocorreu em um momento no qual o ministro André Mendonça já detinha informações sobre pendências e problemas regulatórios enfrentados pelo Banco Master perante o Banco Central (BC).
As mensagens recuperadas apontam que a aproximação foi viabilizada pelo advogado baiano Ciro Rocha Soares, sócio do escritório Rocha Soares Advogados Associados, de Salvador, e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). O processo de intermediação teve início em 7 de fevereiro de 2025, data em que o advogado enviou mensagens de texto a Vorcaro informando que estava em companhia de Mendonça.
No dia seguinte, Ciro encaminhou ao banqueiro uma fotografia ao lado de André Mendonça, tirada em uma filial da Alfaiataria Vasco Vasconcelos. A imagem foi acompanhada de uma mensagem de áudio: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno.”
Os diálogos indicam que o ministro foi instruído sobre as dificuldades do Banco Master antes de receber o controlador da instituição. Em áudio registrado pelo advogado Ciro Soares, o intermediário relata ter apresentado a situação regulatória ao ministro e que este teria manifestado interesse em se reunir com o banqueiro de forma pessoal.
“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo. Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele”, afirmou Ciro a Daniel Vorcaro nas semanas que antecederam a reunião. O deputado Cezinha de Madureira teria atuado em uma via de comunicação paralela, relatando previamente as mesmas dificuldades ao magistrado. O material sob custódia não detalha quais providências foram discutidas durante o encontro na sede do Instituto Iter.
André Mendonça se defende
Segundo André Mendonça, em resposta ao jornal Estado de São Paulo, a reunião foi intermediada pelo deputado federal Cezinha de Madureira a pedido de integrantes da Igreja Batista da Lagoinha, da qual o ministro faz parte. Mendonça afirmou que não se tratou de assuntos ligados ao Banco Central — que já investigava o caso que levaria à liquidação do Banco Master —, mas sim de uma pauta jurídica específica: a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, processo relativo ao pagamento de precatórios da usina Agroindustrial Tabu.
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